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Blog do Paulo Ruch

  • ” Bons atores, texto, fotografia, música e direção não foram nada invisíveis em ‘A Mulher Invisível’. “

    maio 20th, 2012

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    Foto: Divulgação/TV Globo

    O seriado, primeira coprodução da Rede Globo com a Conspiração Filmes, baseado no filme homônimo de sucesso dirigido por Claudio Torres (um dos sócios da Conspiração), estreou na terça-feira passada já com um ótimo cartão de apresentação. Intérpretes que participaram do longa-metragem, como Selton Mello e Luana Piovani, revivem seus personagens. O texto de Claudio Torres, Guel Arraes, Leandro Assis e Mauro Wilson, com redação final deste, é bem alinhavado, ágil, inteligente e espirituoso. Houve a adequação da enxuta e precisa história ao espaço de tempo da exibição do programa. A trama gravita em torno do publicitário Pedro (Selton Mello), em crise tanto profissional quanto no casamento com Clarisse (Débora Falabella), que também é dona da agência na qual o marido trabalha, e portanto, sua chefe. É mais voltada para a profissão. Praticamente uma “workaholic”. Pedro está perdido e confuso em meio às aparições tão inesperadas quanto tentadoras da “mulher invisível” Amanda (Luana Piovani). O rapaz causa habitualmente desconfiança nos outros com os seus diálogos com o “invisível”. O amigo Wilson (Álamo Facó) se entusiasma a cada vez que o colega dá a entender que a voluptuosa moça que não se deixa aparecer está presente. O elenco é um acerto só. Com destaque, óbvio, para as atuações de Selton Mello, Luana Piovani, Débora Falabella e Álamo Facó. Revezam-se em momentos de drama e comicidade. E é este salutar equilíbrio entre os gêneros que faz de “A Mulher Invisível” uma atração deliciosamente agradável de se assistir. O tarimbado diretor Claudio Torres, sabedor dos elementos de que dispõe, e vindo da bem-sucedida experiência anterior cinematográfica, congrega-os de forma harmoniosa e lúdica. Está acompanhado da bonita fotografia de Rodrigo Monte, que se utiliza de oscilações cromáticas, vistas, por exemplo, nos “flashbacks”. Os figurinos de Ana Avellar correspondem de modo eficiente ao perfil dos envolvidos na sinopse. Já a abertura é alegre, contagiante, moderna, esperta, lançando mão da linguagem pop dos videoclipes. Selton, Débora e Luana dançam com graça. A produção musical e trilha de Maurício Tagliari e Luca Raele contribuem sobremaneira para realçar as cenas, dando-lhes um clima de contemporaneidade. A direção de arte de Yurika Yamasaki e a cenografia de Emília Merhi são caprichadas. O material que Claudio e sua equipe têm à disposição permite que se elabore com tranquilidade os outros episódios a serem veiculados. A faixa escolhida para o seriado segue o bom senso, pois vem logo depois de “Tapas & Beijos”. O humor é diverso, havendo uma transição não brusca de um entretenimento para o outro. Com o que relatei, chego à conclusão auspiciosa que “A Mulher Invisível” rendeu sim bons frutos nas salas de cinema. Porém, quem disse que a colheita dos mesmos acabou? Claudio Torres tem a resposta. Claudio Torres sabe que Amanda é uma mulher invisível. E com certeza também sabe que os talentos de sua série são irremediavelmente visíveis.

  • “Andre Bankoff não foi apenas um pesquisador em ‘Morde & Assopra’. Para viver Tiago, e lhe dar credibilidade, pesquisou, e muito.”

    maio 17th, 2012

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    Foto: Márcio Amaral/Revista Mensch

    Tudo parecia calmo em Preciosa para Tiago (Andre Bankoff, que será Pedro no remake de “Saramandaia”, com previsão de estreia para junho na Rede Globo), pois estava exercendo a paixão de sua vida: a paleontologia. O pai Oséas (Luis Melo) era contra esta opção. Tiago não se importava. Sentia-se até colocado em segundo plano por ele. Achava que as atenções do patriarca dirigiam-se todas ao irmão Fernando (Rodrigo Hilbert). Grande descoberta por suas mãos foi feita: os restos de titanossauro. Até que espevitada loira a quem chamamos Júlia (Adriana Esteves) chega decidida à cidade onde se desenrolou a trama de Walcyr Carrasco, no horário das 19h da Rede Globo. Se antes havia certo sossego para o jovem amante das viagens e escavações nos campos profissional e afetivo, após o surgimento da colega de ofício, tudo mudou. A princípio, houve parceria, colaboração entre ambos. Em momento inesperado por Tiago, os olhos claros que possui passaram a enxergar Júlia com intenções ternas. Virou o jogo. As mesmas intenções ternas transformaram-se em ciúme, motivado pelo que há de amoroso entre a amada e Abner (Marcos Pasquim). Como se isto não bastasse, a equipe da qual fazia parte nas buscas paleontológicas começou a deixá-lo à margem. Natural que Tiago demonstrasse mudança de comportamento. No que concerne à composição do personagem, Andre Bankoff estudou e pesquisou bastante. Conversara com William Nava, em quem o papel fora inspirado, e tantos outros especialistas. William é escavador de Marília, interior de São Paulo, e reconhecido pelo que descobrira em suas empreitadas. Estágio no Museu Nacional do Rio de Janeiro o ajudou mais ainda. É por esta razão que digo: Andre estudou e pesquisou amiúde para que sentisse e entendesse a verdade do personagem que lhe fora dado. Falemos, agora, então, da trajetória deste jovem ator que trabalhara desde cedo como modelo, e tivera experiência como jogador de futebol, inclusive em terras estrangeiras. No teatro, integrara o elenco do espetáculo “Mulheres Alteradas”, adaptação de Andrea Maltarolli para os escritos da argentina Maitena. Já na TV, depois de aparições na minissérie “Mad Maria”, de Benedito Ruy Barbosa, e em “Bang Bang”, de Mário Prata e Carlos Lombardi, André ganha o primeiro protagonista, só que na Rede Record, como o Juba de “Bicho do Mato”, de Bosco Brasil e Cristianne Fridman. Daí, vieram “Alta Estação”, de Margareth Boury, “Amor e Intrigas”, de Gisele Joras, e “Poder Paralelo”, de Lauro César Muniz e Dora Castellar. E aparece a oportunidade para o artista de Americana de interpretar Tiago, logo em obra de autor, que segundo o próprio, sempre admirara: Walcyr Carrasco. Andre Bankoff ao estudar e pesquisar para dar vida ao paleontólogo da história segue máxima preciosa, sem qualquer trocadilho, de que ser ator é também estudar e pesquisar. Andre Bankoff é bom aluno.

  • ” A Duquesa Úrsula não se conformou em ter sido trocada pelo Rei Augusto por uma plebeia. Já o público não se conformaria em não ter Débora Bloch em ‘Cordel Encantado.’ “

    maio 17th, 2012

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    Foto: Claudio Andrade/Revista Quem e Alex Paralea/AgNews

    Pode-se associar mais a carreira da filha do ator Jonas Bloch à comédia. É verdade, Débora é uma das melhores atrizes cômicas de sua geração. Haja vista suas inesquecíveis participações na própria estreia na Rede Globo, em “Jogo da Vida”, de Silvio de Abreu. Era Lívia, filha de Jordana (Glória Menezes), e seu par romântico era Jerônimo (Mário Gomes). Assim como no humorístico “TV Pirata”; em “Cambalacho”, de Silvio de Abreu também, como a pouco feminina Ana Machadão; e nos folhetins de Miguel Falabella e Maria Carmem Barbosa, “Salsa e Merengue” e a “A Lua Me Disse”. E não muito distante, dividindo a cena com Wladimir Brichta em “Separação?!”, de Alexandre Machado e Fernanda Young. Além de ter feito vários episódios de “Comédia da Vida Privada”, programa baseado em crônicas de Luis Fernando Verissimo, e “Os Normais”, dos citados Alexandre Machado e Fernanda Young. Não deixemos de mencionar “A Invenção do Brasil”, de Guel Arraes e Jorge Furtado. No teatro, tal faceta lhe é recorrente, como em “Fica Comigo Esta Noite”, de Flávio de Souza, e “5 x Comédia”, espetáculo em esquetes. E onde fica o drama nesta história de Débora? Em várias memoráveis interpretações, como a Clara de “Sol de Verão”, de Manoel Carlos, em que se apaixonava pelo surdo-mudo Abel (Tony Ramos); a Lena de “Queridos Amigos”, de Maria Adelaide Amaral; e a Silvia Cadore de “Caminho das Índias”, de Gloria Perez. Há ainda a minissérie de Doc Comparato e Antonio Calmon, ” A, E, I, O, … Urca”, a passagem pelo SBT, no “remake” de “As Pupilas do Senhor Reitor”, de Lauro César Muniz, cuja adaptação do romance de Júlio Dinis coube a Bosco Brasil e Ismael Fernandes, e atuações em “JK”, de Maria Adelaide Amaral e Alcides Nogueira, e “Amazônia – De Galvez a Chico Mendes”, de Gloria Perez. Agora, voltemos um pouco para sabermos como se dera o início da bem-sucedida trajetória artística de Débora Bloch. Pode soar evidente, e natural que o seja, que a figura paterna de Jonas Bloch tenha exercido influência primordial na escolha da profissão da filha. Porquanto, crescera em meio a “sets” e coxias. Após estudar em um Curso no Teatro Ipanema, no Rio de Janeiro, teve a sua primeira experiência nos palcos, a qual considero sua “prova de fogo”. Explico: substituíra Lucélia Santos em uma obra clássica de Vianinha, “Rasga Coração”. Formara junto com Andréa Beltrão, Chico Diaz, Pedro Cardoso, dentre mais alguns, um dos grupos teatrais de maior relevância na cena carioca, o “Manhas e Manias”, que consistia precipuamente em criações coletivas. Diversos prêmios vieram. E quanto à contribuição que dera no campo cinematográfico? Bem, o que dizer do estrondoso sucesso “Bete Balanço”, de Lael Rodrigues? Estivera em um longa-metragem com contextos políticos, ao lado de Walmor Chagas, “Pátria Amada”, de Tizuca Yamasaki. Após a parceria com cineastas importantes, como Walter Lima Jr. e Cacá Diegues, sua última aparição nas telas fora em “À Deriva”, de Heitor Dhalia, em que contracenava com Vincent Cassel. No folhetim de Duca Rachid e Thelma Guedes, viveu aprontando “das suas”, ao lado de Nicolau (Luiz Fernando Guimarães, amigo de longa data). Vítimas para ela não faltaram. Uma delas foi Maria Cesária (Lucy Ramos), que pela Duquesa foi humilhada ao ser flagrada aos beijos com o Rei Augusto (Carmo Dalla Vecchia). A nobre de fato não se conformou de ter perdido este amor. E nós lá íamos nos conformar se Débora Bloch não estivesse em “Cordel Encantado”, e agora em “Avenida Brasil”, como Verônica?

  • “Ela”

    maio 17th, 2012

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    A minha homenagem às mães.

    Nela, dormi

    Não senti frio

    Era quente

    Acolhedor

    E não senti fome

    Que bom lugar para se ficar

    Tive que sair

    Sob a luz de um clarão

    Chorei, chorei muito

    Ouvi vozes

    Não estava mais tão quente

    Nem era mais tão acolhedor

    Mas senti que era a hora

    A hora de morar em outro lugar

    Maior, diferente, cheio de coisas novas

    Continuei a não sentir fome

    E o frio passou de outra forma

    Escutei sons que não entendia

    Certo estava de que eram bonitos

    E que serviriam para o meu bem

    Sentia-me feliz

    E todas as vezes que chorava

    Aquele alguém que me guardou por longo tempo

    Enxugava os meus olhos

    E tudo ficava mais claro

    Um claro parecido com o primeiro clarão

    Depois, fiquei sabendo que quem me acolheu

    E não me deixou sentir fome e frio

    Além de me dar algo que chamam de amor

    Tem um nome

    Curto, bonito e forte

    MÃE.

    Paulo Ruch

  • “A história é uma história. A história de um certo Marcelo Valle”.

    maio 16th, 2012


    Foto: Marcos Serra Lima/ego

    Júlio. Júlio era o nome de seu personagem na novela de Gilberto Braga e Ricardo Linhares, “Insensato Coração”. Júlio aproximava-se do que podemos chamar de um “cara normal”. O que seria um “cara normal”? Um homem casado, fiel à mulher, pai de duas moças, e trabalhador. Era correto. Cometera apenas um deslize que culminou na sua demissão da empresa de Raul (Antonio Fagundes). Deslize este cometido por influência do mestre dos deslizes: Léo (Gabriel Braga Nunes). Ele era de certo modo submisso à esposa Eunice (Deborah Evelyn). Todavia, já houve instantes em que sua voz soou mais alta. Em determinado momento, viu-se em uma situação complicadíssima para um pai, em que questões de cunho moral estavam implicadas. Júlio indignava-se ao ouvir as conversas regadas ao mais desprezível machismo havidas entre o designer André (Lázaro Ramos), William (Leonardo Carvalho) e Beto (Petrônio Gontijo). De fato era de se ficar indignado. E toda esta fase da trama possibilitou a Marcelo Valle a chance de realizar boas cenas no folhetim. Destaco a que Júlio flagrou a filha Leila (Bruna Linzmeyer) saindo do carro do designer. Naquela precisa ocasião, todas as fúria e revolta motivadas pelo sentimento de defesa da honra de quem cuidara por toda uma vida foram percebidas na interpretação de Marcelo. E não parou por aí. Houve um sério diálogo entre ele e a jovem de lindos olhos azuis que não terminou nada bem. Terminou em tapa na cara do pai, e expulsão da filha de casa. Difícil foi a resolução deste problema familiar. Um pai de uma filha que não correspondia aos seus anseios. E uma filha de um pai que julgava não entender as razões dos seus atos. Para mim, é delicado demais falar deste assunto, pois pode se correr o risco de se cair em julgamentos morais. O tempo se encarregou de clarificar as posições e pensamentos de cada um até que se chegasse a um consenso. Podemos agora comentar um pouco sobre a carreira do produtor, ator e diretor Marcelo Valle. Marcelo é do Rio de Janeiro e se formou como ator na Faculdade da Cidade, que à época estava sob a direção de Bia Lessa. Dedicou-se aos públicos adolescente e infantil por determinado período, chegando a ganhar o Prêmio Coca-Cola de Melhor Produção por “Os Três Mosqueteiros”, adaptação da obra de Alexandre Dumas. Lecionara em diversos lugares, inclusive na Casa de Cultura Laura Alvim e no O Tablado. Prosseguindo no campo teatral, é indispensável ressaltar que Marcelo Valle é integrante de uma conceituada companhia teatral, a Cia dos Atores. Além de atuar, produzira vários espetáculos na mesma. Ademais, o intérprete também trabalhou com outros diretores, inclusive Ernesto Piccolo, que o dirigiu nos mega sucessos “Divã” (com Lilia Cabral e Alexandra Richter) e “A História de Nós 2” (novamente com Alexandra, e que continua em cartaz com grande êxito comercial; há pouco tive o prazer de assistir, e lhes garanto que a encenação é ótima). Estivera ainda em “Um Certo Van Gogh”. No cinema, o artista é bastante lembrado pelo Capitão Oliveira de “Tropa de Elite”, de José Padilha. Já na televisão, participara de vasta gama de seriados, da minissérie “Incidente em Antares”, e das telenovelas “Celebridade”, “Paraíso Tropical” e “Viver a Vida”, sendo que a primeira e a segunda são de autoria de Gilberto Braga e colaboradores. A terceira, como sabem, foi escrita por Manoel Carlos. Millôr Fernandes intitulou uma de suas montagens como “A História é uma História”. Pois esta é a história de um certo Marcelo Valle.

  • “Na moral, Rogério Flausino tem a maior moral”.

    maio 16th, 2012


    Foto: Divulgação/SBT

    Depois de fazer um apanhado sobre Rogério Flausino, que estava vestido com uma jaqueta de couro preta, camisa xadrez púrpura, t-shirt verde, cachecol azul, calça escura e tênis, e sua carreira, Marília Gabriela comunica ao entrevistado nascido em Alfenas, Minas Gerais, que esta era a segunda conversa entre ambos em dez anos. Já o Jota Quest está comemorando quinze de estrada. Com relação à paternidade, o vocalista revela o seu receio inicial de não conseguir dar conta da nova situação, e que hoje se sente um homem bem melhor. Se antes as horas ociosas quando era solteiro eram gastas inutilmente, na fase atual são dedicadas à filha. Marília lhe pergunta quais foram as suas influências musicais. Ele diz que, por fazer parte de uma família de músicos, cresceu escutando serestas, canções dos anos 50, 60 e 70, até chegar à década de 80, na qual despontaram grandes nomes do rock do país, como Titãs, Lulu Santos, Ira!, segundo ele. Sua primeira banda atendia pelo nome de Contato Imediato, ao lado do irmão Sideral, cujas letras das canções se contextualizavam nos temas político e social. Rogério se mostra empolgado com a turnê de aniversário do grupo, que percorrerá inúmeras regiões do Brasil. A turnê é nomeada como Jota 15. O cantor continua a morar em Belo Horizonte, pois insiste em manter as suas raízes. Garante lidar de forma saudável com o assédio do público, como se este fosse “da galera”. Confessa apreciar poesias, e que as escreve. No tocante às predileções por cinema, gosta de comédias românticas e filmes catástrofe. Formou-se em Análise de Sistemas (durante o curso, cogitara estudar Publicidade e Comunicação). Flausino defende a importância de se ter uma formação acadêmica. Ao dar mais atenção à banda, abandonando o seu emprego fixo, depara-se com a desaprovação de seu pai. Quanto às redes sociais, Rogério reconhece a sua relevância tanto para a divulgação de trabalhos quanto para se informar. Comenta a respeito da origem do nome Jota Quest, que fora incentivado por Tim Maia. Assevera que o grupo se enquadra no gênero pop. O pop rock também seria uma opção cabível. Falara sobre a crise sofrida pela banda devido ao enorme sucesso que fazem. E a pressão maciça vinda de todos os lados. Procura aconselhar aqueles que estão começando a carreira musical quanto às possíveis armadilhas da fama. Alguns ouvem, outros não. Informa-nos que o CD que produziram para a Argentina em castelhano, é claro, poderá proporcionar a abertura de uma porta para o mercado latino. Marília pede então para que o cantor dê uma palinha em espanhol. O artista entoa “Só Hoje” e “Na Moral”. Confessou ter pensado equivocadamente em seguir carreira solo. A ideia foi logo descartada. Defende o voluntariado. Pratica-o não por culpa de ser bem-sucedido na profissão, mas pela educação que lhe fora passada. Brinca ao comentar que iria “processar” o Carnaval baiano que prega o beijo na boca, pois após o reencontro com uma moça, casou-se. Não aprecia ser rotulado como o líder do grupo, e sim, como vocalista. Término do bate-papo. Agora me dizem: na moral, Rogério Flausino tem ou não tem a maior moral?

    Obs: A entrevista do vocalista da banda Jota Quest, Rogério Flausino, foi concedida a Marília Gabriela em seu programa “De Frente Com Gabi”, no SBT, em 2011.

  • ” ‘Chopin & Sand – Romance sem Palavras’ mostra o belo e o melancólico na história de vida dos grandes compositor e escritora. “

    maio 12th, 2012

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    Foto: Eduardo Alonso

    Como pôr em palco, com mínimo de sedução e cumprimento de verdades históricas, instantes românticos e conflituosos da convivência de notório casal nos quais a melancolia várias vezes se faz presente com visível pujança? Walter Daguerre, o autor, e Jacqueline Laurence, a diretora, souberam com maestria fazê-lo. A encenação baseia-se muito na leitura de cartas, sejam elas trocadas entre o par, sejam elas enviadas a pessoas próximas e queridas. O texto de Walter capta os elementos que narrei acima em diálogos que desnudam o panorama de relacionamento de Chopin e Sand desde o seu começo até o fim. E a possibilidade só existiria em mãos hábeis de alguém incumbido de dirigi-lo. No caso, a reconhecida atriz e diretora Jacqueline Laurence já citada. Ela comanda a obra com amor e devoção aos preceitos designativos do bom teatro. O que digo evidencia-se no aproveitamento estudado do espaço cênico, na acuidade com relação à interpretação dos atores, e na cautela em entremear a peça com as belíssimas composições de Frédéric Chopin. Aliás, a música ao vivo tocada pela virtuose do piano Linda Bustani só impinge riqueza ao todo, e amacia nossos ouvidos. Marcelo Nogueira, que personifica Frédéric, também cumpre com dignidade esta função. A direção musical é atribuída a Roberto Duarte, que soube ricamente usar as canções do músico polonês com suas diversas nuanças no intuito de buscar a valorização da cena. A trilha sonora de Eduardo Elias é uma preciosidade legítima, aproveitando o que há de melhor naquilo que foi produzido pelo amante de Sand. No que concerne às atuações, tanto Marcelo Nogueira quanto Françoise Forton entregam-se com paixão de forma inteligente aos seus personagens, respeitando a variação de emoções dos mesmos. O cenário de Ronald Teixeira é de se encher os olhos. Capricho, harmonia e coerência ímpares. Algo à parte que devemos apreciar são os dois pianos de cauda, sendo que um fica no centro do palco para Marcelo, e o outro ao fundo do lado esquerdo para Linda Bustani. Há uma “chaise longue” com estofamento próximo ao vermelho, escrivaninha com respectiva banqueta, dois cabides para as inúmeras trocas de roupas dos retratados. Cortinas brancas laterais e no “background” completam o lindo arranjo cenográfico. Porém, o que mais me deslumbrara foram os biombos vazados com admiráveis arabescos. Os objetos de cena providenciados por Karlla de Luca são fiéis à época em que se passa a ação: o século XIX. Os figurinos foram de responsabilidade de Ronald também. Ele aposta nos luxuosos fraques e coletes, “manteaux”, xales e luvas. Tudo adequado, e com forte colaboração para que nos transportemos para os meados do século mencionado. Já a iluminação de Renato Machado é pensada de modo a tornar o entretenimento aprazível, depositando seu talento na diversificação das luzes de variados matizes. Um em especial é bastante encantador. Possui um tom amarelado, fato este que realça eficiente visagismo de Sandra Moscatelly. Existe uma gambiarra atrás da ribalta que exerce múltiplas atividades colaborativas. Utilizam-se focos, e luzes geral e indireta, o que comprova a diversidade que lhes falei. Ao final do que assistimos, estamos mais informados. Certificamo-nos que tomamos um “banho de cultura”, e do quanto o clássico não à toa é clássico. Testemunhamos a trajetória de duas importantes figuras no campo em que atuaram. Percebemos claramente o infinito amor que Chopin e Sand sentiram um pelo outro. O que não impediu atritos e a troca de indesejáveis e ofensivas palavras do casal de lado a lado. “Chopin & Sand – Romance Sem Palavras” deixa-nos uma ideia em nossas mentes: o amor existe, o amor pode ser sofrido, o amor é possível, e que talvez um amor idealizado seja aquele de um romance sem palavras.

  • ” ‘Marlene Dietrich – As Pernas do Século’ é uma ótima e obrigatória peça teatral que retrata fielmente o mito em questão. “

    maio 12th, 2012

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    Foto: Adelson Brasil/Divulgação

    Ribalta à vista. Local em penumbra. Fumaça dá ambiência de mistério. O preto predomina. Três cadeiras metálicas estão perfiladas no proscênio. Ao fundo, do lado esquerdo, confortável poltrona “capitonner” ladeada por pequena mesa na qual garrafas e copos estão dispostos. Estes encimados por belo e clássico lustre. Um tapete serve de adorno. Ainda no tocante à cenografia, há o sempre infalível telão que exibe tanto imagens dos filmes de Marlene Dietrich como de fatos históricos pelos quais a atriz e cantora passou. Trabalho coerente de William Pereira, que também dirige a peça. Aliás, nesta função, William sai-se muito bem, privilegiando a não estagnação da história, focando-se na atuação dos intérpretes, e nas várias apresentações musicais (um dos pontos altos do espetáculo). O diretor utiliza-se de modo pleno do espaço cênico, inclusive o “background” para os shows. Os competentíssimos músicos foram colocados no lado direito do palco. A música ao vivo faz toda a diferença para que se buscasse um resultado compensador e agradável. Outro fato a se relevar é a preparação corporal que ficou a cargo da consagrada Marcia Rubin. Marcia procurou valorizar sobremaneira o gestual do elenco. Talvez, a sua tarefa mais dificultosa tenha sido ajudar Sylvia Bandeira a compor uma Marlene o mais convincente possível. E conseguiu. A iluminação do respeitado Paulo Cesar Medeiros aposta em contrastes, sombras, e focos em único artista (com destaque nas performances). Algo expressionista. Há lindo momento em que Marlene Dietrich é iluminada apenas por lanternas. A luminosidade do lustre supracitado impinge charme geral. Um acerto. A direção musical de Roberto Bahal é primorosa. Nossos ouvidos são acarinhados com bonitas e emblemáticas canções (de origens linguísticas diversas), inclusive “Luar do Sertão” e “Blowin’ in the Wind”. Os figurinos de Marcelo Marques são luxuosos, caprichados, pensados com prudência para que não escapassem à época em pauta. O “peignoir” usado por Sylvia é estampado com tons de cinza. Todavia, há o preto, o neutro, o brilho, e um suntuoso vestido longo vermelho trajado por Marciah Luna Cabral (integrante do “cast” e responsável pela notável preparação vocal). Aimar Labaki, o autor do texto, cumpriu com excelência a missão nada fácil de mostrar painel tão rico quanto atribulado de uma das figuras mais admiradas e polêmicas do século XX. Os diálogos fluem, o que torna a compreensão do enredo palatável para o público. Quanto às interpretações, Sylvia Bandeira personifica de forma gloriosa, sensível e bem-humorada a diva Marlene Dietrich. Não é ofício com facilidades. Ao sair do teatro, tive a nítida impressão de que Sylvia atingiu a melhor fase da carreira, demonstrando capacidade interpretativa irrefutável. Já José Mauro Brant, Silvio Ferrari, e Marciah Luna Cabral desdobram-se em vários papéis com evidente correção. No palco, vemos desfile de nomes ilustres da Arte mundial, como Edith Piaf, Maurice Chevalier, Gary Cooper, Josef Von Sternberg, Jean Gabin e John Gilbert. A peça conquista a meta almejada: emociona, distrai, e nos faz conhecer melhor esta controvertida e importante mulher que viveu intensamente. O “Anjo Azul” logrou com que, ao final do que assistimos, tudo aquilo que ao nosso redor estava ficasse mais azul.

  • ” Saiu nos Classificados: ‘master class’ com Nathalia Timberg em ‘Insensato Coração’. “

    maio 12th, 2012

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    Foto: bastidor do espetáculo “Sopros de Vida”, de David Hare, do qual Nathalia Timberg participa/uol

    Fico imaginando o quanto devem ter se sentido orgulhosos e privilegiados Gilberto Braga, Ricardo Linhares e todos aqueles que colaboraram na elaboração da história do folhetim supracitado em ter como uma das atrizes do elenco alguém como Nathalia Timberg (que está em cartaz com a peça “Sopros de Vida”, de David Hare, ao lado de Rosamaria Murtinho). Sim, Gilberto provável já sentira este prazer em outras novelas suas nas quais Nathalia atuou, como “Vale Tudo”, “O Dono do Mundo, “Força de Um Desejo” e “Celebridade”. Celina, Constância Eugênia e Idalina foram personagens compostas com esmero irretocável por Nathalia. Foi Vitória Drumond na produção das 21h da Rede Globo. Uma mulher forte, circunspecta, e defensora de princípios éticos e morais inquebrantáveis. Poderosa empresária que se viu, por contingências adversas da vida, obrigada a cumprir o difícil papel de cuidar das netas como se suas filhas fossem. Um ser humano que não enxerga obstáculos quando a meta é reparar injustiças. Distinta senhora sempre disposta a estender suaves mãos aos desesperados e perdidos, como quando ofereceu ajuda a Sueli (Louise Cardoso) e Eduardo (Rodrigo Andrade), quando estes estavam desempregados. Agora, fizera o mesmo por Pedro (Eriberto Leão). Em capítulo passado, testemunhamos Nathalia Timberg exibindo-nos generosamente todos os recursos dramáticos que possui ao saber que perdera a amiga Clarice (Ana Beatriz Nogueira). E como se não bastasse, coube-lhe a penosa missão de dar a triste notícia ao jovem Rafael (Jonatas Faro). Nathalia em cena é senhora de si mesma. A impressão que temos é que nada a deixa receosa, e ela mergulha nos elementos mais recônditos do papel. Esta nossa intérprete de primeira grandeza carrega bagagem rica de experiências no teatro e na televisão. Fora uma das atrizes corajosas em enfrentar o teleteatro (encenações ao vivo nas TVs Tupi, Rio e Globo de clássicos teatrais). Nos palcos, são tantos os dramaturgos que a permitiram brilhar… Eugene O’Neill, Arthur Miller, Nelson Rodrigues, Dias Gomes, Sófocles, Pirandello, Tchekhov… Eu me senti agraciado ao lhe assistir na ribalta por duas vezes: uma, ao lado do grande Paulo Gracindo, em “Num Lago Dourado”, de Ernest Thompson; e a outra em “Três Mulheres Altas”, de Edward Albee, em que contracenava com Beatriz Segall e Marisa Orth. Há ainda na televisão, dentre tantas que fez, uma participação que merece destaque: a Cecília da versão original de “Ti-Ti-Ti”, de Cassiano Gabus Mendes. Estivera em minisséries também, dentre as quais posso mencionar “Desejo”, de Gloria Perez. Enfim, Nathalia Timberg, que se tivesse nascido na Inglaterra, receberia certamente o título de Dame, como Judi Dench e Helen Mirren, pode por nós ser chamada de Dama sim. Por que não? Uma Dama que usa e abusa de olhos eloquentes e pujante voz para nos enternecer com magníficas criações. Sendo assim se algum de vocês gosta de fato de interpretação, reitero: saiu nos Classificados que há “master class” com Nathalia Timberg em “Insensato Coração”.

  • “Pretty woman, walkin’ down the street. Pretty woman, the kind I like to meet…”

    maio 12th, 2012

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    Foto: Divulgação/TV Globo

    Gilberto Braga e Ricardo Linhares, autores de “Insensato Coração”, utilizaram-se de um artifício sempre sedutor para os telespectadores de novela: a transformação de mulher simples, desprovida de vaidade, em alguém bonito, atraente, e capaz de surpreender aqueles que faziam ou passarão a fazer parte do seu núcleo de ação. É o que está se dando no momento com Norma Pimentel, interpretada de forma brilhante por Gloria Pires. Se antes, Norma desconhecia maquiagem no cotidiano, ora usava roupas da profissão ora roupas sem qualquer apelo estético, hoje nos impressiona com formosura outrora escondida. Os cabelos estão sedosos, cortados à altura dos ombros, e a pintura realça os delicados traços da face. Trajes de bom gosto. Com este visual moderno, consegue frequentar os melhores ambientes, como a academia de ginástica da moda ou um restaurante sofisticado. Até chegar o momento no qual arrebatará os sentimentos de Teodoro (Tarcísio Meira), homem aberto para o amor. Sim, a imagem abre portas, por mais que resistamos a esta verdade. E em nome da vingança, a agradável aparência que nos enternece servirá de meio para que se dê a sua meta de vida atual: a destruição de Léo (Gabriel Braga Nunes), que curiosamente algumas vezes lançou mão da boa estampa para atingir fins sórdidos. Há exemplos de folhetins que lançaram mão deste recurso por agora aproveitado na trama das 21h da Rede Globo. Sônia Braga, em “Dancin’ Days”, de Gilberto Braga, causou furor quando da aparição de Júlia Matos com madeixas volumosas, calça estilo sintética vermelha com listras laterais brancas, “bustier” ousadíssimo, e sandálias de salto alto, na boate de Hélio (Reginaldo Faria). A boate parou. A cena marcou. Em “Tieta”, de Aguinaldo Silva, Ana Maria Moretzsohn e Ricardo Linhares, no início da história, a moça modesta de Claudia Ohana de mesmo nome do título da obra, é expulsa da cidade Santana do Agreste pelo pai Zé Esteves (Sebastião Vasconcelos). Anos se passaram, e surge uma Betty Faria exuberante. Já em “Vereda Tropical”, de Carlos Lombardi, Cristina Mullins usava enchimentos para parecer obesa, aparelho ortodôntico, óculos, e tocava bateria com jeito um tanto quanto masculinizado. No desenrolar da trama, de baterista a “femme fatale”. Regina Duarte em “Vale Tudo”, de Gilberto Braga, Aguinaldo Silva e Leonor Bassères, após Raquel Accioli se tornar empresária bem-sucedida, o figurino é incrementado, acompanhando o novo status social. Em “Selva de Pedra”, de Janete Clair, só que na segunda versão de Regina Braga e Eloy Araújo de 1986, Fernanda Torres, antes Simone Marques, depois de um misterioso sumiço, retorna como a prestigiada escultora Rosana Reis, com direito a lentes de contato azuis. Como se pode notar, trata-se de um elemento teledramatúrgico a que se recorre largamente, e que possui êxito comprovado junto ao público. Saindo da seara da TV, e reportando ao cinema, inesquecível nos é Julia Roberts saindo de uma loja de luxo em Beverly Hills toda vestida de branco, com chapéu e luvas, esbanjando beleza ao som de “Pretty Woman”, do filme de mesmo nome de Garry Marshall.

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