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Blog do Paulo Ruch

  • ” ‘Alucinadas’ é comédia na qual o absurdo em grau superlativo das relações humanas é representado por duas atrizes que sabem muito bem conjugar o verbo ‘divertir.’ “

    maio 20th, 2012


    Foto: André Arruda/Divulgação

    A Luciana Fregolente e Renata Castro Barbosa cabem esta missão descrita no título acima. Ambas se desdobram em vários papéis, cada um mais tresloucado que o outro (sim, a proposta é esta). E para dar vida a todos eles, tanto Luciana quanto Renata usam e abusam de seus recursos cômicos indiscutíveis, apoiando-se em gestuais, esgares, e modulações de voz diversas. Logra-se êxito, comprovado pela efusiva resposta da plateia. As atrizes se firmam como legítimas integrantes da nova geração que se dedica ao humor no Brasil. O diretor Victor Garcia Peralta, ciente das ferramentas que à sua disposição estavam, compôs de modo admirável um espetáculo leve, divertido e ágil. Victor, que tem em mãos bastantes elementos para organizar, como esquetes e respectivos personagens, atinge a qualidade ao montar um arranjo condizente com as intenções do texto. Há claros dinamismo, “timing”, e uso coerente do espaço cênico. Com isso, o público em nenhum momento se entedia. Mérito que se perfaz. A encenação fora escrita por dramaturgos que ultimamente conquistaram justo lugar no nicho da visão própria de quem se pretende a provocar o riso. Bruno Mazzeo, Luciana Fregolente, Fábio Porchat, Elisa Palatnik, Maurício Rizzo e Rosana Ferrão desenharam um painel de situações que tangem o absurdo já citado. Um exagero permitido para que se pudesse alcançar a graça, baseado em experiências cotidianas do ser humano. Há variedade das mesmas. O stress ao qual ninguém está livre; a violência urbana associada aos serviços de “delivery”; a insistência descabida aliada à inconveniência das operadoras de telemarketing, que levam o potencial cliente/vítima à impaciência próxima ao surto (entende-se por irritação); a esperta adaptação das instruções de aeromoça como se em ônibus estivesse, tendo por inspiração a realidade em que vivemos; a abordagem quase “sacrílega” da finitude do homem; o quanto linhas cruzadas telefônicas podem acometer as pessoas de aborrecimento e perturbação psicológica; o bizarro encontro entre profetisa e consulente; as frustrações, recalques, e ressentimentos revelados por antigos ícones, como a Mulher Maravilha e a boneca Susie; e a Mãe Natureza rebelada face ao desrespeito dos que na Terra habitam. Tudo regado a pinceladas cáusticas, porém nunca fora de contexto. O cenário de Adriana Milhomem é de uma elegância frugal, dando oportunidade para que o palco em si fique disponível para as performances das intérpretes. Há dois cubos que servem de assentos deveras aproveitados por Luciana e Renata. Ao fundo, belos cubos dependurados por meio de fios que ora se acendem, ora se apagam. Uma visão deslumbrante. Sem contar que no início da peça, há um telão com clipe animado e música dançante composta por Leoni e Luciana Fregolente. Assim, o começo se dá em clima de alto astral. A parte musical criativa pertence a Leoni e Pedro Mamede. No tocante aos figurinos à cargo de Domingos Alcântara e Luciana Cardoso, uma contribuição primorosa. As atrizes estão bonitas, trajando calças pantalonas de cintura alta em tons acizentados, “bustiers” aveludados e/ou acamurçados negros sobre segunda pele “nude” de mangas longas. O visagismo procura a discrição. Funciona. As artistas estão com cabelos presos por coques, e maquiagem suave, realçando-se os olhos com lápis preto. A iluminação de Djalma Amaral impõe agradável sensação ao público, utilizando-se de focos, luzes gerais, além de oscilar conforme se exige. A principal atração neste segmento técnico são o acender e o apagar dos cubos já mencionados sitos no “background” da ribalta. A preparação corporal de Mariana Donner explora com eficiência as possibilidades indicadas nas histórias exibidas. Concluímos que “Alucinadas” é um entretenimento inteligente, e pensado com adequação ao risível. Ademais, “Alucinadas” corrobora os talento e intimidade com o tablado de Luciana Fregolente e Renata Castro Barbosa.

  • “Se a Doralice de ‘Cordel Encantado’ norteou-se pela determinação de sua personalidade, Nathalia Dill não fica atrás neste quesito.”

    maio 20th, 2012

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    Foto: Rodrigo Lopes/ego

    Doralice, moça bonita, instruída. Tornou-se senhora das leis na Capital. Teve por decisão ir para o interior. Brogodó. Ao lá chegar, rapaz de nome Jesuíno (Cauã Reymond) deixou seu coração em sobressalto. O que a motivou a lutar por quem lhe causara ebulição de sentimentos. Já a esposa do moço de barba crescida, Açucena (Bianca Bin), foi ferida por dilacerante ciúme. Açucena não possui “os olhos verdes do ciúme”. Açucena possui “os olhos azuis do ciúme”. Assim, no meio da história em que a personagem de Nathalia Dill se viu envolvida é que percebemos a determinação que definiu de forma precisa o seu caráter. Determinação que não a demoveu de salvar Antônia (Luiza Valdetaro) dos maus-tratos do irmão Timóteo (Bruno Gagliasso). Determinação que a impeliu a se transformar no justiceiro Fubá, a fim de melhor se aproximar de Jesuíno. Já no que diz respeito à carreira desta atriz natural do Rio de Janeiro, podemos dizer sim que fora determinada em muitas situações. Afinal de contas, logo de imediato, após participação em episódio da série “Mandrake”, da HBO, interpretou por considerável tempo Débora Rios, papel de contornos acentuados de vilania em “Malhação”. O que vem a seguir? A incumbência de reviver Santinha, celebrizada por Cristina Mullins na primeira versão de “Paraíso”, de Benedito Ruy Barbosa. Nathalia surpreende a todos. Convence público e crítica. E todo este sucesso a levou a ser protagonista novamente. No caso em questão, mais um êxito: “Escrito nas Estrelas”, de Elizabeth Jhin. Não sem antes ter emprestado o lindo rosto para o especial “Dó-Ré-Mi-Fábrica”. Todas produções da Rede Globo, como sabem. Ganhara merecidos prêmios pelas atuações. No cinema, esteve em “Apenas o Fim”, de Matheus Souza, que trata dos relacionamentos dos jovens da “era MSN”. Fizera também a densa incursão de Selton Mello na direção, no melancólico e digno de reconhecimento fílmico e narrativo, “Feliz Natal”. Integra “Paraísos Artificiais”, de Marcos Prado, cujo tema são a juventude e os seus dilemas de geração. No teatro, peças como “Beijo no Asfalto”, de Nelson Rodrigues, “As Aventuras de Tom Sawyer”, de Mark Twain, e “A Agonia do Rei”, de Eugène Ionesco. Determinação, determinação. Não só a Doralice de “Cordel Encantado”, de Duca Rachid e Thelma Guedes, norteou-se por determinação. Nathalia Dill bem sabe o que é ser determinada. Tanto é verdade que esteve em “Avenida Brasil”, de João Emanuel Carneiro, como Débora, e em “Joia Rara”, de Duca Rachid e Thelma Guedes, como Silvia.

  • ” Bons atores, texto, fotografia, música e direção não foram nada invisíveis em ‘A Mulher Invisível’. “

    maio 20th, 2012

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    Foto: Divulgação/TV Globo

    O seriado, primeira coprodução da Rede Globo com a Conspiração Filmes, baseado no filme homônimo de sucesso dirigido por Claudio Torres (um dos sócios da Conspiração), estreou na terça-feira passada já com um ótimo cartão de apresentação. Intérpretes que participaram do longa-metragem, como Selton Mello e Luana Piovani, revivem seus personagens. O texto de Claudio Torres, Guel Arraes, Leandro Assis e Mauro Wilson, com redação final deste, é bem alinhavado, ágil, inteligente e espirituoso. Houve a adequação da enxuta e precisa história ao espaço de tempo da exibição do programa. A trama gravita em torno do publicitário Pedro (Selton Mello), em crise tanto profissional quanto no casamento com Clarisse (Débora Falabella), que também é dona da agência na qual o marido trabalha, e portanto, sua chefe. É mais voltada para a profissão. Praticamente uma “workaholic”. Pedro está perdido e confuso em meio às aparições tão inesperadas quanto tentadoras da “mulher invisível” Amanda (Luana Piovani). O rapaz causa habitualmente desconfiança nos outros com os seus diálogos com o “invisível”. O amigo Wilson (Álamo Facó) se entusiasma a cada vez que o colega dá a entender que a voluptuosa moça que não se deixa aparecer está presente. O elenco é um acerto só. Com destaque, óbvio, para as atuações de Selton Mello, Luana Piovani, Débora Falabella e Álamo Facó. Revezam-se em momentos de drama e comicidade. E é este salutar equilíbrio entre os gêneros que faz de “A Mulher Invisível” uma atração deliciosamente agradável de se assistir. O tarimbado diretor Claudio Torres, sabedor dos elementos de que dispõe, e vindo da bem-sucedida experiência anterior cinematográfica, congrega-os de forma harmoniosa e lúdica. Está acompanhado da bonita fotografia de Rodrigo Monte, que se utiliza de oscilações cromáticas, vistas, por exemplo, nos “flashbacks”. Os figurinos de Ana Avellar correspondem de modo eficiente ao perfil dos envolvidos na sinopse. Já a abertura é alegre, contagiante, moderna, esperta, lançando mão da linguagem pop dos videoclipes. Selton, Débora e Luana dançam com graça. A produção musical e trilha de Maurício Tagliari e Luca Raele contribuem sobremaneira para realçar as cenas, dando-lhes um clima de contemporaneidade. A direção de arte de Yurika Yamasaki e a cenografia de Emília Merhi são caprichadas. O material que Claudio e sua equipe têm à disposição permite que se elabore com tranquilidade os outros episódios a serem veiculados. A faixa escolhida para o seriado segue o bom senso, pois vem logo depois de “Tapas & Beijos”. O humor é diverso, havendo uma transição não brusca de um entretenimento para o outro. Com o que relatei, chego à conclusão auspiciosa que “A Mulher Invisível” rendeu sim bons frutos nas salas de cinema. Porém, quem disse que a colheita dos mesmos acabou? Claudio Torres tem a resposta. Claudio Torres sabe que Amanda é uma mulher invisível. E com certeza também sabe que os talentos de sua série são irremediavelmente visíveis.

  • “Andre Bankoff não foi apenas um pesquisador em ‘Morde & Assopra’. Para viver Tiago, e lhe dar credibilidade, pesquisou, e muito.”

    maio 17th, 2012

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    Foto: Márcio Amaral/Revista Mensch

    Tudo parecia calmo em Preciosa para Tiago (Andre Bankoff, que será Pedro no remake de “Saramandaia”, com previsão de estreia para junho na Rede Globo), pois estava exercendo a paixão de sua vida: a paleontologia. O pai Oséas (Luis Melo) era contra esta opção. Tiago não se importava. Sentia-se até colocado em segundo plano por ele. Achava que as atenções do patriarca dirigiam-se todas ao irmão Fernando (Rodrigo Hilbert). Grande descoberta por suas mãos foi feita: os restos de titanossauro. Até que espevitada loira a quem chamamos Júlia (Adriana Esteves) chega decidida à cidade onde se desenrolou a trama de Walcyr Carrasco, no horário das 19h da Rede Globo. Se antes havia certo sossego para o jovem amante das viagens e escavações nos campos profissional e afetivo, após o surgimento da colega de ofício, tudo mudou. A princípio, houve parceria, colaboração entre ambos. Em momento inesperado por Tiago, os olhos claros que possui passaram a enxergar Júlia com intenções ternas. Virou o jogo. As mesmas intenções ternas transformaram-se em ciúme, motivado pelo que há de amoroso entre a amada e Abner (Marcos Pasquim). Como se isto não bastasse, a equipe da qual fazia parte nas buscas paleontológicas começou a deixá-lo à margem. Natural que Tiago demonstrasse mudança de comportamento. No que concerne à composição do personagem, Andre Bankoff estudou e pesquisou bastante. Conversara com William Nava, em quem o papel fora inspirado, e tantos outros especialistas. William é escavador de Marília, interior de São Paulo, e reconhecido pelo que descobrira em suas empreitadas. Estágio no Museu Nacional do Rio de Janeiro o ajudou mais ainda. É por esta razão que digo: Andre estudou e pesquisou amiúde para que sentisse e entendesse a verdade do personagem que lhe fora dado. Falemos, agora, então, da trajetória deste jovem ator que trabalhara desde cedo como modelo, e tivera experiência como jogador de futebol, inclusive em terras estrangeiras. No teatro, integrara o elenco do espetáculo “Mulheres Alteradas”, adaptação de Andrea Maltarolli para os escritos da argentina Maitena. Já na TV, depois de aparições na minissérie “Mad Maria”, de Benedito Ruy Barbosa, e em “Bang Bang”, de Mário Prata e Carlos Lombardi, André ganha o primeiro protagonista, só que na Rede Record, como o Juba de “Bicho do Mato”, de Bosco Brasil e Cristianne Fridman. Daí, vieram “Alta Estação”, de Margareth Boury, “Amor e Intrigas”, de Gisele Joras, e “Poder Paralelo”, de Lauro César Muniz e Dora Castellar. E aparece a oportunidade para o artista de Americana de interpretar Tiago, logo em obra de autor, que segundo o próprio, sempre admirara: Walcyr Carrasco. Andre Bankoff ao estudar e pesquisar para dar vida ao paleontólogo da história segue máxima preciosa, sem qualquer trocadilho, de que ser ator é também estudar e pesquisar. Andre Bankoff é bom aluno.

  • ” A Duquesa Úrsula não se conformou em ter sido trocada pelo Rei Augusto por uma plebeia. Já o público não se conformaria em não ter Débora Bloch em ‘Cordel Encantado.’ “

    maio 17th, 2012

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    Foto: Claudio Andrade/Revista Quem e Alex Paralea/AgNews

    Pode-se associar mais a carreira da filha do ator Jonas Bloch à comédia. É verdade, Débora é uma das melhores atrizes cômicas de sua geração. Haja vista suas inesquecíveis participações na própria estreia na Rede Globo, em “Jogo da Vida”, de Silvio de Abreu. Era Lívia, filha de Jordana (Glória Menezes), e seu par romântico era Jerônimo (Mário Gomes). Assim como no humorístico “TV Pirata”; em “Cambalacho”, de Silvio de Abreu também, como a pouco feminina Ana Machadão; e nos folhetins de Miguel Falabella e Maria Carmem Barbosa, “Salsa e Merengue” e a “A Lua Me Disse”. E não muito distante, dividindo a cena com Wladimir Brichta em “Separação?!”, de Alexandre Machado e Fernanda Young. Além de ter feito vários episódios de “Comédia da Vida Privada”, programa baseado em crônicas de Luis Fernando Verissimo, e “Os Normais”, dos citados Alexandre Machado e Fernanda Young. Não deixemos de mencionar “A Invenção do Brasil”, de Guel Arraes e Jorge Furtado. No teatro, tal faceta lhe é recorrente, como em “Fica Comigo Esta Noite”, de Flávio de Souza, e “5 x Comédia”, espetáculo em esquetes. E onde fica o drama nesta história de Débora? Em várias memoráveis interpretações, como a Clara de “Sol de Verão”, de Manoel Carlos, em que se apaixonava pelo surdo-mudo Abel (Tony Ramos); a Lena de “Queridos Amigos”, de Maria Adelaide Amaral; e a Silvia Cadore de “Caminho das Índias”, de Gloria Perez. Há ainda a minissérie de Doc Comparato e Antonio Calmon, ” A, E, I, O, … Urca”, a passagem pelo SBT, no “remake” de “As Pupilas do Senhor Reitor”, de Lauro César Muniz, cuja adaptação do romance de Júlio Dinis coube a Bosco Brasil e Ismael Fernandes, e atuações em “JK”, de Maria Adelaide Amaral e Alcides Nogueira, e “Amazônia – De Galvez a Chico Mendes”, de Gloria Perez. Agora, voltemos um pouco para sabermos como se dera o início da bem-sucedida trajetória artística de Débora Bloch. Pode soar evidente, e natural que o seja, que a figura paterna de Jonas Bloch tenha exercido influência primordial na escolha da profissão da filha. Porquanto, crescera em meio a “sets” e coxias. Após estudar em um Curso no Teatro Ipanema, no Rio de Janeiro, teve a sua primeira experiência nos palcos, a qual considero sua “prova de fogo”. Explico: substituíra Lucélia Santos em uma obra clássica de Vianinha, “Rasga Coração”. Formara junto com Andréa Beltrão, Chico Diaz, Pedro Cardoso, dentre mais alguns, um dos grupos teatrais de maior relevância na cena carioca, o “Manhas e Manias”, que consistia precipuamente em criações coletivas. Diversos prêmios vieram. E quanto à contribuição que dera no campo cinematográfico? Bem, o que dizer do estrondoso sucesso “Bete Balanço”, de Lael Rodrigues? Estivera em um longa-metragem com contextos políticos, ao lado de Walmor Chagas, “Pátria Amada”, de Tizuca Yamasaki. Após a parceria com cineastas importantes, como Walter Lima Jr. e Cacá Diegues, sua última aparição nas telas fora em “À Deriva”, de Heitor Dhalia, em que contracenava com Vincent Cassel. No folhetim de Duca Rachid e Thelma Guedes, viveu aprontando “das suas”, ao lado de Nicolau (Luiz Fernando Guimarães, amigo de longa data). Vítimas para ela não faltaram. Uma delas foi Maria Cesária (Lucy Ramos), que pela Duquesa foi humilhada ao ser flagrada aos beijos com o Rei Augusto (Carmo Dalla Vecchia). A nobre de fato não se conformou de ter perdido este amor. E nós lá íamos nos conformar se Débora Bloch não estivesse em “Cordel Encantado”, e agora em “Avenida Brasil”, como Verônica?

  • “Ela”

    maio 17th, 2012

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    A minha homenagem às mães.

    Nela, dormi

    Não senti frio

    Era quente

    Acolhedor

    E não senti fome

    Que bom lugar para se ficar

    Tive que sair

    Sob a luz de um clarão

    Chorei, chorei muito

    Ouvi vozes

    Não estava mais tão quente

    Nem era mais tão acolhedor

    Mas senti que era a hora

    A hora de morar em outro lugar

    Maior, diferente, cheio de coisas novas

    Continuei a não sentir fome

    E o frio passou de outra forma

    Escutei sons que não entendia

    Certo estava de que eram bonitos

    E que serviriam para o meu bem

    Sentia-me feliz

    E todas as vezes que chorava

    Aquele alguém que me guardou por longo tempo

    Enxugava os meus olhos

    E tudo ficava mais claro

    Um claro parecido com o primeiro clarão

    Depois, fiquei sabendo que quem me acolheu

    E não me deixou sentir fome e frio

    Além de me dar algo que chamam de amor

    Tem um nome

    Curto, bonito e forte

    MÃE.

    Paulo Ruch

  • “A história é uma história. A história de um certo Marcelo Valle”.

    maio 16th, 2012


    Foto: Marcos Serra Lima/ego

    Júlio. Júlio era o nome de seu personagem na novela de Gilberto Braga e Ricardo Linhares, “Insensato Coração”. Júlio aproximava-se do que podemos chamar de um “cara normal”. O que seria um “cara normal”? Um homem casado, fiel à mulher, pai de duas moças, e trabalhador. Era correto. Cometera apenas um deslize que culminou na sua demissão da empresa de Raul (Antonio Fagundes). Deslize este cometido por influência do mestre dos deslizes: Léo (Gabriel Braga Nunes). Ele era de certo modo submisso à esposa Eunice (Deborah Evelyn). Todavia, já houve instantes em que sua voz soou mais alta. Em determinado momento, viu-se em uma situação complicadíssima para um pai, em que questões de cunho moral estavam implicadas. Júlio indignava-se ao ouvir as conversas regadas ao mais desprezível machismo havidas entre o designer André (Lázaro Ramos), William (Leonardo Carvalho) e Beto (Petrônio Gontijo). De fato era de se ficar indignado. E toda esta fase da trama possibilitou a Marcelo Valle a chance de realizar boas cenas no folhetim. Destaco a que Júlio flagrou a filha Leila (Bruna Linzmeyer) saindo do carro do designer. Naquela precisa ocasião, todas as fúria e revolta motivadas pelo sentimento de defesa da honra de quem cuidara por toda uma vida foram percebidas na interpretação de Marcelo. E não parou por aí. Houve um sério diálogo entre ele e a jovem de lindos olhos azuis que não terminou nada bem. Terminou em tapa na cara do pai, e expulsão da filha de casa. Difícil foi a resolução deste problema familiar. Um pai de uma filha que não correspondia aos seus anseios. E uma filha de um pai que julgava não entender as razões dos seus atos. Para mim, é delicado demais falar deste assunto, pois pode se correr o risco de se cair em julgamentos morais. O tempo se encarregou de clarificar as posições e pensamentos de cada um até que se chegasse a um consenso. Podemos agora comentar um pouco sobre a carreira do produtor, ator e diretor Marcelo Valle. Marcelo é do Rio de Janeiro e se formou como ator na Faculdade da Cidade, que à época estava sob a direção de Bia Lessa. Dedicou-se aos públicos adolescente e infantil por determinado período, chegando a ganhar o Prêmio Coca-Cola de Melhor Produção por “Os Três Mosqueteiros”, adaptação da obra de Alexandre Dumas. Lecionara em diversos lugares, inclusive na Casa de Cultura Laura Alvim e no O Tablado. Prosseguindo no campo teatral, é indispensável ressaltar que Marcelo Valle é integrante de uma conceituada companhia teatral, a Cia dos Atores. Além de atuar, produzira vários espetáculos na mesma. Ademais, o intérprete também trabalhou com outros diretores, inclusive Ernesto Piccolo, que o dirigiu nos mega sucessos “Divã” (com Lilia Cabral e Alexandra Richter) e “A História de Nós 2” (novamente com Alexandra, e que continua em cartaz com grande êxito comercial; há pouco tive o prazer de assistir, e lhes garanto que a encenação é ótima). Estivera ainda em “Um Certo Van Gogh”. No cinema, o artista é bastante lembrado pelo Capitão Oliveira de “Tropa de Elite”, de José Padilha. Já na televisão, participara de vasta gama de seriados, da minissérie “Incidente em Antares”, e das telenovelas “Celebridade”, “Paraíso Tropical” e “Viver a Vida”, sendo que a primeira e a segunda são de autoria de Gilberto Braga e colaboradores. A terceira, como sabem, foi escrita por Manoel Carlos. Millôr Fernandes intitulou uma de suas montagens como “A História é uma História”. Pois esta é a história de um certo Marcelo Valle.

  • “Na moral, Rogério Flausino tem a maior moral”.

    maio 16th, 2012


    Foto: Divulgação/SBT

    Depois de fazer um apanhado sobre Rogério Flausino, que estava vestido com uma jaqueta de couro preta, camisa xadrez púrpura, t-shirt verde, cachecol azul, calça escura e tênis, e sua carreira, Marília Gabriela comunica ao entrevistado nascido em Alfenas, Minas Gerais, que esta era a segunda conversa entre ambos em dez anos. Já o Jota Quest está comemorando quinze de estrada. Com relação à paternidade, o vocalista revela o seu receio inicial de não conseguir dar conta da nova situação, e que hoje se sente um homem bem melhor. Se antes as horas ociosas quando era solteiro eram gastas inutilmente, na fase atual são dedicadas à filha. Marília lhe pergunta quais foram as suas influências musicais. Ele diz que, por fazer parte de uma família de músicos, cresceu escutando serestas, canções dos anos 50, 60 e 70, até chegar à década de 80, na qual despontaram grandes nomes do rock do país, como Titãs, Lulu Santos, Ira!, segundo ele. Sua primeira banda atendia pelo nome de Contato Imediato, ao lado do irmão Sideral, cujas letras das canções se contextualizavam nos temas político e social. Rogério se mostra empolgado com a turnê de aniversário do grupo, que percorrerá inúmeras regiões do Brasil. A turnê é nomeada como Jota 15. O cantor continua a morar em Belo Horizonte, pois insiste em manter as suas raízes. Garante lidar de forma saudável com o assédio do público, como se este fosse “da galera”. Confessa apreciar poesias, e que as escreve. No tocante às predileções por cinema, gosta de comédias românticas e filmes catástrofe. Formou-se em Análise de Sistemas (durante o curso, cogitara estudar Publicidade e Comunicação). Flausino defende a importância de se ter uma formação acadêmica. Ao dar mais atenção à banda, abandonando o seu emprego fixo, depara-se com a desaprovação de seu pai. Quanto às redes sociais, Rogério reconhece a sua relevância tanto para a divulgação de trabalhos quanto para se informar. Comenta a respeito da origem do nome Jota Quest, que fora incentivado por Tim Maia. Assevera que o grupo se enquadra no gênero pop. O pop rock também seria uma opção cabível. Falara sobre a crise sofrida pela banda devido ao enorme sucesso que fazem. E a pressão maciça vinda de todos os lados. Procura aconselhar aqueles que estão começando a carreira musical quanto às possíveis armadilhas da fama. Alguns ouvem, outros não. Informa-nos que o CD que produziram para a Argentina em castelhano, é claro, poderá proporcionar a abertura de uma porta para o mercado latino. Marília pede então para que o cantor dê uma palinha em espanhol. O artista entoa “Só Hoje” e “Na Moral”. Confessou ter pensado equivocadamente em seguir carreira solo. A ideia foi logo descartada. Defende o voluntariado. Pratica-o não por culpa de ser bem-sucedido na profissão, mas pela educação que lhe fora passada. Brinca ao comentar que iria “processar” o Carnaval baiano que prega o beijo na boca, pois após o reencontro com uma moça, casou-se. Não aprecia ser rotulado como o líder do grupo, e sim, como vocalista. Término do bate-papo. Agora me dizem: na moral, Rogério Flausino tem ou não tem a maior moral?

    Obs: A entrevista do vocalista da banda Jota Quest, Rogério Flausino, foi concedida a Marília Gabriela em seu programa “De Frente Com Gabi”, no SBT, em 2011.

  • ” ‘Chopin & Sand – Romance sem Palavras’ mostra o belo e o melancólico na história de vida dos grandes compositor e escritora. “

    maio 12th, 2012

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    Foto: Eduardo Alonso

    Como pôr em palco, com mínimo de sedução e cumprimento de verdades históricas, instantes românticos e conflituosos da convivência de notório casal nos quais a melancolia várias vezes se faz presente com visível pujança? Walter Daguerre, o autor, e Jacqueline Laurence, a diretora, souberam com maestria fazê-lo. A encenação baseia-se muito na leitura de cartas, sejam elas trocadas entre o par, sejam elas enviadas a pessoas próximas e queridas. O texto de Walter capta os elementos que narrei acima em diálogos que desnudam o panorama de relacionamento de Chopin e Sand desde o seu começo até o fim. E a possibilidade só existiria em mãos hábeis de alguém incumbido de dirigi-lo. No caso, a reconhecida atriz e diretora Jacqueline Laurence já citada. Ela comanda a obra com amor e devoção aos preceitos designativos do bom teatro. O que digo evidencia-se no aproveitamento estudado do espaço cênico, na acuidade com relação à interpretação dos atores, e na cautela em entremear a peça com as belíssimas composições de Frédéric Chopin. Aliás, a música ao vivo tocada pela virtuose do piano Linda Bustani só impinge riqueza ao todo, e amacia nossos ouvidos. Marcelo Nogueira, que personifica Frédéric, também cumpre com dignidade esta função. A direção musical é atribuída a Roberto Duarte, que soube ricamente usar as canções do músico polonês com suas diversas nuanças no intuito de buscar a valorização da cena. A trilha sonora de Eduardo Elias é uma preciosidade legítima, aproveitando o que há de melhor naquilo que foi produzido pelo amante de Sand. No que concerne às atuações, tanto Marcelo Nogueira quanto Françoise Forton entregam-se com paixão de forma inteligente aos seus personagens, respeitando a variação de emoções dos mesmos. O cenário de Ronald Teixeira é de se encher os olhos. Capricho, harmonia e coerência ímpares. Algo à parte que devemos apreciar são os dois pianos de cauda, sendo que um fica no centro do palco para Marcelo, e o outro ao fundo do lado esquerdo para Linda Bustani. Há uma “chaise longue” com estofamento próximo ao vermelho, escrivaninha com respectiva banqueta, dois cabides para as inúmeras trocas de roupas dos retratados. Cortinas brancas laterais e no “background” completam o lindo arranjo cenográfico. Porém, o que mais me deslumbrara foram os biombos vazados com admiráveis arabescos. Os objetos de cena providenciados por Karlla de Luca são fiéis à época em que se passa a ação: o século XIX. Os figurinos foram de responsabilidade de Ronald também. Ele aposta nos luxuosos fraques e coletes, “manteaux”, xales e luvas. Tudo adequado, e com forte colaboração para que nos transportemos para os meados do século mencionado. Já a iluminação de Renato Machado é pensada de modo a tornar o entretenimento aprazível, depositando seu talento na diversificação das luzes de variados matizes. Um em especial é bastante encantador. Possui um tom amarelado, fato este que realça eficiente visagismo de Sandra Moscatelly. Existe uma gambiarra atrás da ribalta que exerce múltiplas atividades colaborativas. Utilizam-se focos, e luzes geral e indireta, o que comprova a diversidade que lhes falei. Ao final do que assistimos, estamos mais informados. Certificamo-nos que tomamos um “banho de cultura”, e do quanto o clássico não à toa é clássico. Testemunhamos a trajetória de duas importantes figuras no campo em que atuaram. Percebemos claramente o infinito amor que Chopin e Sand sentiram um pelo outro. O que não impediu atritos e a troca de indesejáveis e ofensivas palavras do casal de lado a lado. “Chopin & Sand – Romance Sem Palavras” deixa-nos uma ideia em nossas mentes: o amor existe, o amor pode ser sofrido, o amor é possível, e que talvez um amor idealizado seja aquele de um romance sem palavras.

  • ” ‘Marlene Dietrich – As Pernas do Século’ é uma ótima e obrigatória peça teatral que retrata fielmente o mito em questão. “

    maio 12th, 2012

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    Foto: Adelson Brasil/Divulgação

    Ribalta à vista. Local em penumbra. Fumaça dá ambiência de mistério. O preto predomina. Três cadeiras metálicas estão perfiladas no proscênio. Ao fundo, do lado esquerdo, confortável poltrona “capitonner” ladeada por pequena mesa na qual garrafas e copos estão dispostos. Estes encimados por belo e clássico lustre. Um tapete serve de adorno. Ainda no tocante à cenografia, há o sempre infalível telão que exibe tanto imagens dos filmes de Marlene Dietrich como de fatos históricos pelos quais a atriz e cantora passou. Trabalho coerente de William Pereira, que também dirige a peça. Aliás, nesta função, William sai-se muito bem, privilegiando a não estagnação da história, focando-se na atuação dos intérpretes, e nas várias apresentações musicais (um dos pontos altos do espetáculo). O diretor utiliza-se de modo pleno do espaço cênico, inclusive o “background” para os shows. Os competentíssimos músicos foram colocados no lado direito do palco. A música ao vivo faz toda a diferença para que se buscasse um resultado compensador e agradável. Outro fato a se relevar é a preparação corporal que ficou a cargo da consagrada Marcia Rubin. Marcia procurou valorizar sobremaneira o gestual do elenco. Talvez, a sua tarefa mais dificultosa tenha sido ajudar Sylvia Bandeira a compor uma Marlene o mais convincente possível. E conseguiu. A iluminação do respeitado Paulo Cesar Medeiros aposta em contrastes, sombras, e focos em único artista (com destaque nas performances). Algo expressionista. Há lindo momento em que Marlene Dietrich é iluminada apenas por lanternas. A luminosidade do lustre supracitado impinge charme geral. Um acerto. A direção musical de Roberto Bahal é primorosa. Nossos ouvidos são acarinhados com bonitas e emblemáticas canções (de origens linguísticas diversas), inclusive “Luar do Sertão” e “Blowin’ in the Wind”. Os figurinos de Marcelo Marques são luxuosos, caprichados, pensados com prudência para que não escapassem à época em pauta. O “peignoir” usado por Sylvia é estampado com tons de cinza. Todavia, há o preto, o neutro, o brilho, e um suntuoso vestido longo vermelho trajado por Marciah Luna Cabral (integrante do “cast” e responsável pela notável preparação vocal). Aimar Labaki, o autor do texto, cumpriu com excelência a missão nada fácil de mostrar painel tão rico quanto atribulado de uma das figuras mais admiradas e polêmicas do século XX. Os diálogos fluem, o que torna a compreensão do enredo palatável para o público. Quanto às interpretações, Sylvia Bandeira personifica de forma gloriosa, sensível e bem-humorada a diva Marlene Dietrich. Não é ofício com facilidades. Ao sair do teatro, tive a nítida impressão de que Sylvia atingiu a melhor fase da carreira, demonstrando capacidade interpretativa irrefutável. Já José Mauro Brant, Silvio Ferrari, e Marciah Luna Cabral desdobram-se em vários papéis com evidente correção. No palco, vemos desfile de nomes ilustres da Arte mundial, como Edith Piaf, Maurice Chevalier, Gary Cooper, Josef Von Sternberg, Jean Gabin e John Gilbert. A peça conquista a meta almejada: emociona, distrai, e nos faz conhecer melhor esta controvertida e importante mulher que viveu intensamente. O “Anjo Azul” logrou com que, ao final do que assistimos, tudo aquilo que ao nosso redor estava ficasse mais azul.

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