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Blog do Paulo Ruch

  • “Glória Pires: uma atriz que conhece e se utiliza dos sentimentos humanos.”

    maio 10th, 2012

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    Foto: Divulgação

    Era gravação de um dos primeiros capítulos de “O Dono do Mundo”, novela de Gilberto Braga, na qual Glória Pires interpretava Stela, esposa do vilão Felipe Barreto (Antônio Fagundes). Cena importante. Muitos atores participariam. Estreia na Rede Globo de tantos outros. E eu lá, só observando. Glória não havia chegado. Chegou. Educadíssima, carregando um calhamaço de textos, cumprimentou a todos, e se sentou em uma cadeira. Estudou com extrema compenetração as suas falas. Hora de gravar. Em pouco tempo, Glória Pires grava o que tinha que gravar com brilhantismo. Uma aula de disciplina e seriedade para com o seu ofício. Achei válido falar sobre isto, mesmo que já saibam da grandeza dessa atriz, que foi Norma, mulher injustiçada em “Insensato Coração”. A intérprete que indignou o país como a Maria de Fátima em “Vale Tudo” trabalha com a precisão. Seja no olhar, seja na impostação da voz, seja em gestos. É econômica quando tem de ser, porém quando tem de abrir mão dessa economia, assim o faz. Ela consegue mostrar como Norma a plenitude de sua dor apenas estando parada, em silêncio. Isto é mérito. Norma é a continuação de uma carreira precoce repleta de excelentes trabalhos. O destaque real se iniciou em “Dancin’ Days”. Tão nova quanto pujante na atuação como Marisa. Com o sucesso, veio “Cabocla”. Junto com Nádia Lippi e Maitê Proença fizera “As Três Marias” (usava cabelos curtinhos e óculos de grau). Integrou o elenco do ótimo folhetim “Água Viva” (Sandra). Seguiram-se “Louco Amor” e “Partido Alto”, até personificar um dos papéis mais memoráveis de sua trajetória: a Ana Terra de “O Tempo e o Vento”, minissérie baseada na obra de Érico Veríssimo. Após “Direito de Amar”, o encontro com “Vale Tudo”. E mais encontros e reencontros se sucederam. O encontro com o humor em “Mico Preto”, como Sarita. O reencontro com Gilberto Braga em “O Dono do Mundo”. O encontro com ela mesma no remake de “Mulheres de Areia” (Ruth e Raquel). O encontro com Rachel de Queiroz em “Memorial de Maria Moura”. Mais algumas produções, e o reencontro com Regina Duarte em “Desejos de Mulher”. O encontro primeiro com Silvio de Abreu, em “Belíssima”. Depois dos filmes “Pequeno Dicionário Amoroso” e o blockbuster “Se Eu Fosse Você”, reencontra Tony Ramos em “Paraíso Tropical”. Dentre alguns longas-metragens, fora agraciada com prêmios por “O Quatrilho”, “O Primo Basílio” e “É Proibido Fumar”. Está escalada para o longa-metragem “Flores Raras”, de Bruno Barreto, que narra o romance da poeta americana Elizabeth Bishop e da arquiteta e urbanista Lota de Macedo Soares. Protagonizará a produção de Roberto Berliner, “Nise da Silveira – Senhora das Imagens”, que relata a trajetória da famosa psiquiatra, e integrará um dos próximos episódios de “As Brasileiras”, na Rede Globo.

  • “Um passo para a novela. Um grande salto para Cristiana Oliveira.”

    maio 10th, 2012

     

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    Uma bonita atriz. Um convite para fazer personagem complexa em obra de Gilberto Braga e Ricardo Linhares. Até aí nada que fugisse ao comum. Entretanto, Cristiana Oliveira (fará a temporada carioca da peça “Uma Mulher do Outro Mundo”, de Nöel Coward, traduzida por Miguel Paiva, e adaptada e dirigida por Alexandre Reinecke) quis ir mais longe. Acompanhar fisicamente a complexidade do papel ganho (Araci). Despiu-se de vaidades, e mergulhou fundo na composição daquele. Ganhou peso. E ao começar a gravar “Insensato Coração”, enfrentava exaustivas horas e horas para fazer as modificações nos cabelos, e pintar as diversas tatuagens pelo corpo. Tudo em nome da credibilidade de Araci. Nós, acostumados que estávamos a Cristiana de “Pantanal”, “Salsa e Merengue”, e tantos outros folhetins, estupefatos ficamos com a abnegação desta artista. O esforço não fora em vão. Houve aliança bem-sucedida entre as atuações de Cristiana e das atrizes com quem contracenava (Gloria Pires e Cristina Galvão, por exemplo), o texto dos autores, a direção das cenas cheias de tensão, e claro, a impressionante caracterização adotada. Nos momentos de Cristiana, a produção das 21h ganhava excelência no quesito “movimentação da trama”. Houve verdadeiros e ferozes embates entre ela e Gloria. Seja nas palavras sussurradas. Seja nos gritos trocados. Seja nos olhares ameaçadores. Seja no ataque, seja na defesa. Não podemos negar que houve por parte da intérprete de Araci uma bravura indômita, um profissionalismo incondicional, uma vontade extrema de colocar o seu ofício acima de qualquer elemento que influencie para que sejamos vaidosos. Ontem, testemunhamos algo bastante forte. Testemunhamos o lado maternal de Araci. Vimos Araci chorar quando achávamos não ser possível sair qualquer lágrima de seus olhos. Contudo, Norma (Gloria Pires) tinha que salvar a própria pele. E salvou ao seu modo. Teve a frieza que antes não possuía para atingir seus objetivos. Atingiu-os. Após, o pranto. Será o pranto da culpa, o pranto do alívio de se livrar da algoz, ou o pranto ao se dar conta de que não é mais a mesma? Um pranto ao som da arrepiante “Adagio in G Minor”, de Albinoni. A novela continua. Deu um passo. E Cristiana, um grande salto para a sua carreira.

  • “Vamos combinar, Mariana Weickert é bonita e esbanja simpatia”

    maio 10th, 2012

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    Foto: virgula/uol

    Estava eu em evento de moda, aliando descontração e trabalho (afinal, estava com máquina fotográfica a fim de registrar pessoas e tudo o que pudesse parecer interessante para postar neste Blog). Tirei fotos de gente muito bacana, dentre elas, Mariana Weickert. Mariana estava trabalhando, apressadíssima, num corre-corre danado. Pensei: “Puxa, uma foto da Mariana seria legal…”. Resolvi abordá-la, e lhe comunicar minha intenção. Ela foi extremamente cordata. Interrompeu a sua justificada correria, e posou para a lente, abrindo um sorriso. A foto ficou ótima. Disse-lhe que lhe enviaria por rede social. E Mariana me respondeu com uma única palavra que resumiu seu jeito carinhoso e espontâneo de tratar os demais: “Fofo” (referindo-se a este espaço no qual escrevo). Se minha impressão sobre a modelo catarinense já era boa, ficou melhor. Falando mais sobre ela. Um dos pontos que me chamavam a atenção quando era modelo era o fato de ser requisitada para desfilar em diversas grifes. Justo, porquanto a moça tinha um jeito todo especial de andar pela passarela, além é claro da sua beleza e do fato das roupas lhe caírem demasiado bem. A jovem de olhos verdes fez campanhas e participou de desfiles das principais marcas mundo afora, como Calvin Klein, Armani, Roberto Cavalli, Fendi, Louis Vuitton, Ralph Lauren, Stella McCartney, Chanel, Gucci, Marc Jacobs e Givenchy. Isso em Milão, Paris, Nova York e Londres. Foi capa, e fez ensaios para revistas badaladas, como “W”, “Visionaire”, e “Vogue”, dentre outras. O requisitado fotógrafo peruano Mario Testino a fotografou. Entretanto, é chegado o momento no qual Mariana decide interromper a prestigiada carreira, e se fixar em definitivo no Brasil. Torna-se sócia de grife de moda praia chamada Alór. E se interessa pela televisão. É contratada pela MTV, e apresenta o programa “Pé na Areia”, e pela Rede 21, passando a comandar a atração “Saca-Rolha”. Ruma para o GNT, e ao lado de Lilian Pacce, fala de maneira abrangente sobre temas relacionados à moda no “GNT Fashion”. Agora, merecidamente, Mariana ganhou produção própria, no mesmo canal, “Vamos Combinar”, na qual dá dicas de vestuários femininos e masculinos, comportamento e beleza. Vamos combinar, Mariana Weickert está na sua “praia”.

  • “Diogo Vilela, um ator de muitas faces.”

    maio 10th, 2012

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    Foto: Revista Quem Acontece

    Primeiramente, contar-lhes-ei duas curiosidades envolvendo Diogo Vilela (que acabara de interpretar Felizardo em “Aquele Beijo”, de Miguel Falabella) e mim. Há tempos distantes, encontrei-o em um evento, e o abordei de forma natural. Sou assim mesmo. Diogo é educado, acessível, sem estrelismos, voz branda, e bastante observador, como já destacara em outro texto. Aliás, um bom ator deve ser de preferência um bom observador. Já nesta época, as chamadas da novela “Suave Veneno”, de Aguinaldo Silva, estavam no ar, na qual faria o sensitivo Uálber. Disse-lhe de modo próximo, então, baseando-me nas cenas que vira, e matérias acerca do personagem que interpretaria: – Diogo, acho que seu papel vai “acontecer”. Ele deu um meio sorriso. Queria só lhe dar este recado. E, para mim, de fato “aconteceu”. A atuação que tivera fora algum dos trunfos do folhetim, e uma das melhores performances da extensa carreira do artista, na minha opinião. Segunda curiosidade: fui lhe assistir na excelente peça “Solidão, A Comédia”, na qual se desdobrava em vários tipos. Todos feitos com requintes de composição. Após certa hora, cri que a mesma havia findado. O que fiz? Levantei para aplaudir. Silêncio. Nenhuma outra palma. A gafe se perfizera. O espetáculo não havia terminado. Diogo deve ter pensado: “Como esse rapaz está gostando da peça… Está me aplaudindo em cena aberta!”. Passou. Não fiquei traumatizado. Agora, aproveitemos que o assunto do dia é Diogo Vilela para falarmos um pouco de sua rica carreira. Começou cedo. Tanto na televisão, quanto no teatro. Na TV, a lista é grande, tendo participado de diversos segmentos: telenovelas, seriados (incluindo humorísticos), minisséries… Podemos citar algumas das obras (pois são inúmeras) as quais integrara: “Guerra dos Sexos” (1983), “Marquesa de Santos” (1984), “Padre Cícero” (1984), “O Tempo e o Vento” (1985), “Sassaricando” (fizera enorme sucesso ao lado de Cristina Pereira), de 1987, “TV Pirata” (ficara no elenco durante considerável temporada; o programa estreara em 1988); “Quatro por Quatro” (1994), e “Toma Lá Dá Cá” (a atração se iniciou em 2007). No teatro, dedicou-se a peças densas e clássicas. Tivera uma experiência inesquecível para qualquer intérprete: contracenou com Henriette Morineau em “Ensina-me a Viver”, de Colin Higgins, como Harold. Fez Shakespeare (“Hamlet” e “Otelo” – como Iago). Demonstrou toda a força dramática em “Diário de Um Louco”, de Nikolai Gogol. Estivera em “Tio Vânia”, de Anton Tchekhov e “Navalha na Carne”, de Plínio Marcos. Interpretou expoentes da música popular brasileira, como Nelson Gonçalves e Cauby Peixoto. Mas comédias não lhe faltaram no currículo: “5 x Comédia”, e “A Gaiola das Loucas”, de Jean Poiret (a adaptação e direção couberam a Miguel Falabella). Já no cinema, filmes como “Leila Diniz”, “O Grande Mentecapto”, e o “O Coronel e o Lobisomem”, dentre tantos mais em larga galeria. Este é Diogo Vilela, um ator de muitas faces.

  • “Thiago de Los Reyes, o Quim de ‘Insensato Coração’, é daqueles atores jovens que quando aparecem na novela, pensamos: – Vem cena boa, aí…”

    maio 8th, 2012

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    Foto: Sergio Santoian/ego

    Houve uma cena divertidíssima envolvendo Deborah Evelyn (Eunice), Thiago e Giovana Lancellotti (Cecília), no folhetim de Gilberto Braga e Ricardo Linhares. Tudo se desenhou quando Eunice deu uma “incerta” no cursinho onde a filha Cecília estudava para flagrá-la com o namorado secreto. Rafa (Jonatas Faro), o tal namorado, não estava presente devido a um compromisso pessoal. Foi então que Quim se aproveitou da situação para tomar o lugar do amigo. E foram todos lanchar. Eunice pensa que o rapaz é riquíssimo e de família tradicional, baseando-se no seu sobrenome pomposo. Quim fez a festa. Pediu milk shake, um sanduíche gigantesco, chamou Cecília de Ciça (para espanto de Eunice, que confirmou que a jovem detesta que a chamem assim)… E a mãe de Cecília a fim de não desapontá-lo, acompanhou-o na pândega (Eunice praticamente “lutou” com o sanduíche). A moça estava constrangida. E Quim nem era com ele. Esta cena serviu para corroborar o talento deste jovem intérprete que desde o início do folhetim nos garante bons momentos, sendo que a maioria contextualizados no humor. Quim é um rapaz de modesta situação, avesso aos estudos (não possui a mais remota ideia do que queira ser), com ranzinzice que o leva a ser engraçado, cujo melhor amigo é Rafa. Quando percebe que o “perdera” para Cecília, passa a nutrir implicância total por ela (refere-se à moça como “a marrentinha do Sul”). Isto é bastante natural de acontecer. Além disso, as cantadas que dera em Natalie (Deborah Secco) foram impagáveis. Na verdade, tudo isto que narrei até aqui talvez não fosse passível de graça se não estivesse nas mãos de um ator certo. E Thiago abraça os requisitos necessários (inclusive a inflexão com que as falas são ditas) para fazer de Quim atraente para os telespectadores. Falemos então de sua carreira. Thiago é natural do Rio de Janeiro, e começou a atuar ainda criança. Estreou em “Esplendor”, de Ana Maria Moretzsohn. No ano seguinte, “Estrela-Guia”, da mesma autora. Daí, vieram “Malhação” e o especial “Clara e o Chuveiro do Tempo”. Fora o Príncipe Theo de “O Sítio do Picapau Amarelo”, e o Bruno de “Eterna Magia”, de Elizabeth Jhin. Muda de emissora, sendo o tímido Guga de “Chamas da Vida”, de Cristianne Fridman, na Rede Record. No teatro, esteve em “O Despertar da Primavera”, e “No Círculo das Luzes” (direção de Ulysses Cruz), dentre outras peças. É experiente em cinema, tendo exercido as funções de diretor e assistente. Agora é o Quim, em “Insensato Coração”. Aquele personagem que quando aparece nós pensamos: – Vem cena boa, aí…

  • “Camila Alves é casada com Matthew McConaughey. Matthew McConaughey é casado com Camila Alves. Isto é fato. Camila Alves tem brilho próprio. Isto também é fato.”

    maio 8th, 2012

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    Foto: Getty Images

    A bela mineira de Belo Horizonte, a modelo e apresentadora Camila Alves, foi a entrevistada de Jô Soares em um dos seus programas do ano passado. Estava muito bonita, com vestido em tom escuro com brilhos, alguns acessórios de cor dourada, além de “scarpins”. O apresentador após elogiar sua beleza, também o fez com relação ao seu marido. Pergunta-lhe se é ciumenta. Ela diz: “Se eu fosse ciumenta, não poderia nem sair na rua”. Jô Soares aproveita, e elogia o talento de Matthew McConaughey, inclusive no filme “Amistad”, de Steven Spielberg. A modelo anuncia que está para estrear um novo longa com a participação dele: “The Lincon Lawyer”, dirigido por Brad Furnan. Antes de começar a contar a história sobre a chegada aos Estados Unidos, pede tequila. Jô se anima com a ideia. Continuando. Fora para o país estadunidense disposta a não retornar ao Brasil. Momento de interrupção. Alex, o garçom, fica nervoso ao servir a bebida mexicana à moça. Eu ficaria da mesma forma. Pela expressão dos dois, a tequila era “das boas”. Prossigamos. Camila muda-se para Los Angeles. Antes fizera curso de modelo, o que na opinião dela não representa uma obrigatoriedade. O ator/comediante pede-lhe que desfile. Desfila. E bem. Na cidade citada, procura uma agência. Ocorre um impasse. Não podia exercer sua função enquanto o processo de visto não fosse regularizado. Enquanto não “modelava”, viu-se obrigada a se virar como pôde para se sustentar. Trabalhou como faxineira. Por não dominar o Inglês, empregou-se em um restaurante mexicano. Com direito a tequila de vez em quando, pois a rotina era dura. Concilia com um emprego em um estabelecimento italiano. Foi para Nova York. Bateu de porta em porta em várias agências de modelo, e a resposta era sempre igual: “Não.” Camila desanimou-se. Lágrimas na “Big Apple”. Até que a última à qual recorreu decidiu contratá-la. Fotos da morena são exibidas no telão. E o que se ouve? Os assobios de plantão. Inclusive uma de sua ida ao Oscar. O que me chamou a atenção precipuamente em Camila Alves foi a sua total falta de deslumbramento. E olha que isto é raro. Fala sobre a linha de bolsas que produz. Sabem para onde a conversa voltou? Para a tequila! Inicia-se o processo de preparo da bebida. Sai-se deste, e ruma para o fato da apresentadora e Matthew terem ido morar em um trailer (“airstream”). O assunto fica um tanto sério. Camila discorre sobre a fundação que mantém com o ator, chamada “After School Program”, que visa a fazer com que os adolescentes levem uma vida saudável, por meio de nutrição e exercícios, além de orientação profissional. Excelente iniciativa em um mundo de “glamour”. Finalizando, para alguns, Camila Alves é uma mulher de sorte por ser casada com um dos astros mais cobiçados de Hollywood. Vou além. Acho Matthew McConaughey um cara de sorte, também. Terminado o bloco, até senti vontade de tomar tequila. Brincadeira. Não gosto. É bastante forte. Como sou do Rio, vou de chopinho mesmo.

  • “Após breve pausa, o ‘gavião’ Cauã Reymond voltou à cena. Ele foi Jesuíno em ‘Cordel Encantado’, novela das 18h.”

    maio 8th, 2012


    Foto: editorial de moda para a GQ BRASIL/Daniel Klajmic

    Alguns podem estar se perguntando o porquê de eu me referir a Cauã Reymond (que vive o Jorginho de “Avenida Brasil”, e esteve nos filmes “Estamos Juntos”e “Meu País”) como “gavião”. Simples. Cauã, na língua indígena tupi, significa gavião. E sempre achei isto interessante. Aliás, ano passado, vi tardiamente “Ódiquê?”, filme dirigido por Felipe Joffily, no qual há elenco formado por jovens atores que muito se destacam. Além de Cauã, Dudu Azevedo, Alexandre Moretzsohn e Leonardo Carvalho. E com este seu primeiro longa, Cauã Reymond recebeu elogios da crítica. Recomendo-lhes. Saindo desta seara, e indo para a TV, há tempo não muito longo, fez o atormentado Danilo, em “Passione”, de Silvio de Abreu. E assim como Bruno Gagliasso, escalado foi em diminuto lapso para o folhetim de Duca Rachid e Thelma Guedes, “Cordel Encantado”. O personagem foi Jesuíno, filho de Cláudia Ohana (Benvinda) e Domingos Montagner (Herculano), este uma espécie de liderança cangaceira em épocas passadas. E Benvinda não desejava que Jesuíno viesse a saber desse episódio. Ao contrário do pai, que almejava que no futuro o descendente fosse substituí-lo. O moço foi criado longe da família, e cresceu junto a Açucena (Bianca Bin), por quem se apaixonou. Este foi basicamente o enredo que envolveu o papel de Cauã. Agora, podemos desenhar um traçado de como se deu a trajetória do artista até o presente momento. A princípio, fora modelo, tendo experimentado temporada em Milão e Paris, e trabalhado com importantes estilistas, fotógrafos e modelos como ele. Só que Cauã já tinha em mente a vontade de ser ator, e assistiu a aulas de Susan Batson (“coach” de renomados intérpretes de Hollywood). A carreira na televisão começa bem, logo em duas temporadas de “Malhação”, atração para adolescentes na qual viveu Mau Mau. Caiu nas graças deste público. E o sucesso o levou a ser um dos rebentos de Mamuska (Rosi Campos), em “Da Cor do Pecado”, de João Emanuel Carneiro, fato que o tornou mais popular ainda, atingindo outras faixas de telespectadores. Participa de obra de Walther Negrão, “Como Uma Onda”. Mas o melhor estaria por vir, em termos de repercussão efetiva. Personifica garoto de programa (Mateus) que esconde esta condição de sua tradicional família de ascendência grega, em “Belíssima”, de Silvio de Abreu. Houve ótimas cenas com fiel cliente, Ornela (Vera Holtz). Todavia, uma em particular, chamou-me a atenção. Em refeição com os familiares, Cauã Reymond tivera que realizar forte cena dramática. E dela não me esqueci. E nesta mesma novela, nutria paixão por bela moça chamada Giovanna (Paola Oliveira). O epílogo ao lado de Bia Falcão (Fernanda Montenegro) causou polêmica. Para mim, boa sacada do autor. Depois de “Eterna Magia”, de Elizabeth Jhin, ótima chance irrompe: “A Favorita”, de João Emanuel Carneiro, que inovou pela abordagem dinâmica da trama. O personagem que lhe coube (Halley) no limiar da história possuía certas nuanças cômicas. Porém, no decorrer dos capítulos, a personalidade obteve um contexto mais sério, e que se adequou apropriadamente para o desenvolvimento do que nos era contado. Ganhara diversos prêmios. E ficara com a mocinha da história Lara (Mariana Ximenes). Quanto ao cinema, contribuíra para vários longas-metragens. Mérito para alguém tão jovem. Afora o citado “Ódiquê?”, destaquemos “Divã”, de José Alvarenga Jr., “À Deriva”, de Heitor Dhalia, dentre tantos. Agora, Cauã Reymond deparou-se com a missão de dar vida à rapaz bastante diverso, de caráter regional, criado por autoras com as quais nunca emprestara a imagem. Intimidade com o veículo, ele já tem. Então, tudo leva a crer que agradará aos que irão prestigiá-lo.

  • “Carmo Dalla Vecchia. Que Rei foi Ele?”

    maio 8th, 2012


    Foto: Divulgação/TV Globo

    Há curiosidade na carreira de Carmo Dalla Vecchia (em “Amor Eterno Amor” é Fernando) que não deve ser preterida: um reencontro com uma atriz tempos depois em outra produção teledramatúrgica, mas em contexto completamente diverso. Na verdade, o que se deu é que Carmo, muito jovem mesmo, estreou na boa minissérie “Engraçadinha… Seus Amores e Seus Pecados”, baseada na obra de Nelson Rodrigues. Ele era Durval, filho de Engraçadinha (Claudia Raia), e irmão de Silene (Mylla Christie). Sentia por ambas incontrolável ciúme. Passam-se anos , e Carmo reencontra Claudia Raia na novela de João Emanuel Carneiro, “A Favorita”, na qual interpreta o audaz jornalista Zé Bob, que forma par romântico com Donatela, papel de Claudia. Boas coincidências do mundo da televisão. Carmo esteve, como sabem, no folhetim de Duca Rachid e Thelma Guedes, “Cordel Encantado”, como o Rei Augusto. Que rei foi ele? Um monarca de reino fictício chamado Seráfia do Norte, região em conflito com Seráfia do Sul, terra comandada pelo Rei Teobaldo (Thiago Lacerda). A fim de que se selasse a paz entre as partes, a princesa do Norte é prometida ao príncipe do Sul quando ainda eram bebês. Entretanto, ocorre viagem ao Brasil com o intuito de se descobrir tesouro escondido. O Rei Augusto perde a sua mulher, a Rainha Cristina (Alinne Moraes), que estava acompanhada da filha Aurora. Tudo armadilha da Duquesa Úrsula (Débora Bloch). Pensa-se que Aurora também tivera fim triste. O que não corresponde aos fatos. E dá-se incansável busca por Aurora. Esta foi por base a trama em que Carmo Dalla Vecchia esteve inserido. Já com relação à sua história profissional, possui experiência considerável na televisão. Após alguns trabalhos em diferentes emissoras, como Rede Bandeirantes, Rede Record e SBT, e na Rede Globo, ganha destaque em “A Casa das Sete Mulheres” (Batista). Outras participações, até surgir chance que mudaria o rumo da trajetória artística. É escalado para viver Luciano Botelho/Martim em “Cobras & Lagartos”, de João Emanuel Carneiro, com quem voltaria a colaborar em “A Cura”, seriado no qual o ator despiu-se de toda e qualquer vaidade. Fizera “JK”, “A Favorita”, e “Cama de Gato” antes. No teatro, esteve em “Eduardo ll”, de Christopher Marlowe, “A Paixão de Cristo”, dentre tantas mais. Atualmente está em cartaz com o espetáculo de Neil Simon, “Estranho Casal”, ao lado de Edson Fieschi. Este texto (“The Odd Couple”) fora levado às telas, e rendeu uma das melhores comédias a que já assisti. Jack Lemmon e Walter Matthau estão no elenco. No cinema, “Cronicamente Inviável” pode ser citado. Este afinal é o “reino” de Carmo Dalla Vecchia.

  • “Textos decorados. Refletores acesos. Diretores a postos. E uma atriz pronta. Pronta para brilhar. Ana Beatriz Nogueira.”

    maio 8th, 2012

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    Foto: Divulgação/TV Globo

    Clarice, personagem de Ana Beatriz Nogueira em “Insensato Coração”, de Gilberto Braga e Ricardo Linhares, com sua habitual fleuma, está no jardim. A governanta Lídia (Andréa Dantas) chega com encomenda. Uma encomenda indesejada. Trata-se de DVD. Não um DVD qualquer. O DVD da traição. Clarice ao vê-lo, desespera-se. Quebra o que está à frente. Aquela fleuma que lhes falei não existe mais. Clarice é outra mulher. Uma mulher despedaçada que quer se vingar. Uma mulher que ouviu que sua companhia “é boa para os negócios”. Uma mulher que ouviu o seu marido dizer que ama outra mulher como nunca amou outra. Desorientada, ruma para o lindo jardim de uma linda casa de um casamento feio. Mergulha em uma linda piscina. Molhada, cabelos molhados, sai em busca frenética dos documentos que possam incriminar o marido que a fez mergulhar na linda piscina. Tudo está em trancada gaveta. Falta a chave. A esta altura, não será simples chave que irá deter a fúria de mulher que perdera a fleuma que a fazia cuidar do lindo jardim. Clarice sai de sua pacata vida, com alguns eventos sociais, e se percebe em jornada ensandecida de purificação da própria dignidade. Em tempo curto, cópias daquilo que Cortez (Herson Capri) esconde são tiradas. E entregues ao homem da lei. Ela sabe que está se vingando. Não entende muito bem como, mas sabe. Há momento de beleza que só poderia vir de boa mãe que foge aos fatos sombrios que se sucedem: Clarice pega o porta-retrato com Rafa (Jonatas Faro) e o coloca na bolsa. Só uma boa mãe, em meio ao caos do desespero, seria capaz de ato assim. Busca refúgio na casa de Vitória (Nathália Timberg). Desabafa, brada, afirma que se vingou. Cortez aparece na mansão. O capítulo terminou. Os textos decorados foram ditos. Os refletores se apagaram. Os diretores ficaram satisfeitos, e foram embora para casa, ou dirigir outra cena. Mas uma coisa ficou. O brilho de uma atriz. O brilho de Ana Beatriz Nogueira.

  • “Em ‘Avenida Brasil’, Vera Holtz é a ‘mãe do lixão’. Já na vida profissional, é uma das ‘mães da atuação’. “

    maio 7th, 2012

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    Foto: Divulgação/TV Globo

    Na sexta-feira passada, a atriz Vera Holtz, que interpreta Lucinda, “a mãe do lixão”, na novela de João Emanuel Carneiro, “Avenida Brasil”, teve a oportunidade de mostrar ao público toda a sua força cênica ao atuar ora com Nathalia Dill (Débora) ora com Débora Falabella (Nina). Em ambos os momentos, houve acaloradas discussões, e Vera, de nenhum modo, extrapolou os limites de uma performance considerada precisa. Não cometera o imperdoável erro do “overacting”. E, claro, isso a faz ser um dos destaques da trama das 21h, tendo o apoio de uma boa personagem. Lucinda é protetora, caridosa, cheia de generosidade, uma “mãezona” (ampara com alegria e prazer algumas crianças que trabalham no lixão), e brava (enfrenta Nilo, papel defendido por José de Abreu, a despeito das ameaças que sofre). O passado que carrega é nebuloso. Há muitos mistérios que o rondam. Nilo até já insinuou que ela pode ter tirado a vida de alguém em certa ocasião. Agora, depois de ter criado Nina/Rita (Mel Maia na fase infantil) e Batata/Jorginho (Bernardo Simões e Cauã Reymond, respectivamente), empenha-se pela união definitiva dos dois. Só que há a resistência da moça que criara quando menina, que não abre mão do plano de vingança contra Carminha (Adriana Esteves). Quanto à atriz, nasceu em Tatuí, interior de São Paulo. Cursou a EAD (Escola de Arte Dramática), e a UNIRIO (Universidade Federal do Estado do Rio de Janeiro). A estreia nos palcos foi em uma peça de Oduvaldo Vianna Filho, “Rasga Coração”. Integrou o respeitado Grupo Tapa. Bibi Ferreira a dirigira em texto de Maugnier, “E Agora, Hermínia”. Trabalhara também com Celina Sodré. O polêmico encenador Gerald Thomas a conduziu em “Eletra Com Creta”. Deu a sua contribuição ao espetáculo que narra a vida e obra do escritor irlandês James Joyce, “Ópera Joyce”, de Alcides Nogueira. Já na companhia teatral de Antonio Abujamra, foi uma das atrizes de “Um Certo Hamlet” (recebeu o Prêmio Shell de Melhor Atriz), além de ter feito “Phaedra”, de Racine, e “O Retrato de Gertrude Stein Quando Homem”, de Alcides Nogueira. Esteve em “A Volta ao Lar”, de Harold Pinter. Juntou-se ao Bando de Teatro Olodum, e montou “Medeamaterial”, de Heiner Müller. Protagonizou e ganhou inúmeras láureas com “Pérola”, cujos texto e direção eram de Mauro Rasi. Estão no seu currículo ainda textos de Samuel Beckett, Bertolt Brecht e João Bethencourt. Na televisão, marcou-nos com diversas personagens: a Fanny de “Que Rei Sou Eu?”; a intrigante Angélica da minissérie “Desejo”; Quitéria, a mãe que vivia em busca do filho em “A Próxima Vítima”; Marta, a patroa que mantém tórrido romance com o empregado (o ator Taiguara), em “Presença de Anita”; a professora alcoólatra Santana de “Mulheres Apaixonadas”; a ricaça Ornela que pagava garotos de programa em “Belíssima”; Marion Novaes, mãe desnaturada em “Paraíso Tropical”; a vilã de “Três Irmãs”, Violeta Áquila; a humilde e trabalhadora Candê de “Passione”; e agora a Lucinda de “Avenida Brasil”. No cinema, podemos mencionar “O Menino Maluquinho”; o filme da Retomada, “Carlota Joaquina, Princesa do Brazil”; “Tônica Dominante”; “Apolônio Brasil, Campeão da Alegria”; “Bendito Fruto” e “Anjos do Sol”. Sendo assim, ao percebermos que a artista em questão possui carreira tão vasta e rica, e tido como parceiros de trabalho importantes nomes, sempre demonstrando seu inquestionável talento, já que na novela das 21h ela é a “mãe do lixão”, não seria exagero dizer que Vera Holtz é na vida profissional uma das “mães da atuação”.

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