Úrsula é o tipo de mulher de quem devemos passar longe. Com suas lindeza e voz suave pode vir a nos enganar facilmente. O ser humano tem a indesejável característica de se deixar ludibriar por pessoas como ela, que se aproveitam de seus fortes trunfos naturais para melhor destruírem suas presas. E no caso da trama de Gilberto Braga e Ricardo Linhares, a presa era desafeto antigo: Marina Drumond (Paolla Oliveira). Tudo porque a moça é bonita, rica, excelente profissional, e possui sobrenome com tradição. Sim, o que mais há no mundo são seres que se permitem consumir pela própria miséria ao não deter a inveja. E esta a motivou a se aliar a indivíduo não menos desqualificado, Aquiles (Guilherme Leme) para derribar tampouco Marina, mas André (Lázaro Ramos), objeto dos piores sentimentos do dono do escritório de design no qual trabalhara. Úrsula é contratada por Marina, que fica de olho nela. Um grande contrato é avistado: o dos cruzeiros Delamare. Após bastante esforço da prima de Bibi (Maria Clara Gueiros), que chegou até mesmo a resolver velho mal-estar de famílias, Fabiano Delamare (Gero Pestalozzi) decide pelo projeto de Marina Drumond. Aquiles não se conforma, e pressiona Úrsula, que já havia desapontado o bem-intencionado companheiro Neto (Petrônio Gontijo), a agir. Descobre que André tem “affair” com a mulher de Delamare, Vivian (Maria Carolina Ribeiro). Invade o apartamento do designer, e tira fotos comprometedoras. Entre muitos tapas e socos, tanto Úrsula quanto Aquiles são desmascarados. Todavia, foi compensador rever Lavínia Vlasak em uma novela da Rede Globo, emissora que a lançara em “O Rei do Gado”, de Benedito Ruy Barbosa, folhetim no qual fazia par com Almir Sater. Porém, antes, voltemos ao início de sua trajetória. Lavínia cedo foi morar nos Estados Unidos, alfabetizando-se em Inglês. Somente no retorno ao Brasil aprende a língua pátria. E na escola que estudava, passou a se interessar pela carreira artística. Foi modelo, e com o dinheiro ganho, financiava os cursos de interpretação. Depois da obra de Benedito, fez o “remake” de “Anjo Mau”. Em único ano apenas participara da minissérie “Chiquinha Gonzaga” e do folhetim “Força de Um Desejo” (a primeira vilã, Alice). Tivera uma aparição rápida, contudo importante em “Laços de Família”. A seguir, “Filhas da Mãe”, e papel de destaque em “Mulheres Apaixonadas”, de Manoel Carlos, com quem voltaria a trabalhar, em que vivia Stela, endinheirada jovem vítima de problemas alcoólicos. Outro tema delicado é tratado: Stela, sua personagem, apaixona-se pelo padre composto por Nicola Siri. É convidada para nova produção de Gilberto Braga, “Celebridade”. Para surpresa nossa, trocou de canal posteriormente, a Rede Record, e lá integrara o elenco de “Vidas Opostas” e “Prova de Amor”, a última telenovela antes do afastamento voluntário da televisão para cuidar de questões pessoais. Não podemos deixar de mencionar, entretanto, que estivera em “Mandrake”, da HBO. Decorrido certo tempo, retorna à Rede Globo, atuando em “A Vida Alheia”, “As Cariocas”, “Afinal, O Que Querem As Mulheres? e “As Brasileiras”. No cinema, dentre alguns longas-metragens, destacam-se “Gatão de Meia Idade” e “Se Eu Fosse Você”. Finalmente, chegamos a Úrsula, aquela que tem o “doce veneno”. Ela aprontou demais. Mas que foi bom rever o talento e a beleza de Lavínia Vlasak, ah, isso foi!
Categoria: Cinema
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Foto: Editorial de moda para a revista ALFAO último papel de Dudu Azevedo, como sabem, foi na novela de Aguinaldo Silva, “Fina Estampa”, como o lutador de MMA Wallace Muu. Além disso, fez parte do elenco do longa-metragem “Qualquer Gato Vira-Lata”, de Tomás Portella, ao lado de Malvino Salvador e Cleo Pires. Exerce também a função de músico, como baterista das bandas Redtrip e Zunnido. No que diz respeito ao folhetim “Insensato Coração”, de Gilberto Braga e Ricardo Linhares, como o segurança de shopping Neymar, manteve relacionamento para lá de pouco convencional com Úrsula (Lavínia Vlasak). O que havia entre eles seria uma espécie de fetiche, fantasia. Entretanto, esta ideia partia dela, pois por ele até namorariam. Entretanto, em certa ocasião, não demorou muito para que o porte de Neymar chamasse a atenção de Bibi (Maria Clara Gueiros), que não perdeu tempo, e já atacou o rapaz. Com Bibi as coisas são rápidas. Em certo capítulo, houve um baita flagra. Falemos, então, acerca da carreira de Dudu Azevedo. A música e a interpretação praticamente sempre andaram juntas. A estreia para valer se deu na TV Cultura, no seriado “Confissões de Adolescente”, como Danton. A seguir, fez sua primeira novela, “O Campeão”, na Rede Bandeirantes. Integrara ainda “Celebridade”, “Como uma Onda”, “Pé na Jaca” e a minissérie “JK”. Destacara-se claramente como o advogado Barretinho, que nutria paixão incondicional por Sabrina (Cris Vianna), na produção de Aguinaldo Silva, “Duas Caras”, e em “Três Irmãs”, obra de Antonio Calmon na qual viveu o antagonista Xande. Após, “Cama de Gato”. No cinema, estivera em filmes que tinham como proposta abordar o mundo jovem e suas particularidades, como “Ódique”?, de Felipe Joffily; “1972”, de José Emílio Rondeau e Ana Maria Bahiana; e “Podecrer!”, de Arthur Fontes, por exemplo. Já o mencionado logo no princípio, “Qualquer Gato Vira-Lata” terá uma continuação, dirigido pelo mesmo Tomás Portella.
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Foto: editorial de moda dedicado ao Brasil da loja de departamentos americana Macy’sNa novela de Walther Negrão, “Araguaia”, ele foi Fred, filho de Max (Lima Duarte), e causou rebuliço junto ao público feminino. Porém, o destaque se deu, também, claro, devido à sua atuação. O teatro apareceu muito cedo em sua vida. Ainda estava no terceiro ano do ensino médio quando decidiu fazer curso teatral. Gostou. Em pouco tempo, era chamado para uma substituição em peça. Bom sinal. Resolveu seguir em frente. Formou-se por conceituada escola de Artes Cênicas do Rio de Janeiro, a Casa das Artes de Laranjeiras. Durante os estudos, trabalhou como modelo. Participara da Oficina de Atores da Rede Globo. E pelo desempenho exibido, quem lhe dera aulas, Renato Farias, convidou-o para integrar o elenco do espetáculo “Veridiana e Eu”. Passou a partir daí a ser membro da importante Companhia de Teatro Íntimo. Raphael não é ator de se acomodar (aliás, um dos “inimigos” do artista é a acomodação). E por possuir esta característica, experimentou a mímica com Paulo Trajano, além de outros cursos e “workshops”. Nos palcos (onde começara afinal) fora dirigido por João Fonseca em “Vereda da Salvação”, de Jorge Andrade. Sob a direção de Celina Sodré, esteve ainda em “A Exceção e a Regra”, de Bertolt Brecht. Há momento interessante na carreira de Raphael no que tange à poesia (uma de suas predileções): dera contribuição à série de apresentações chamada “Degustação Poética”, na qual notáveis e sumos poetas eram celebrados: Manoel de Barros, Manuel Bandeira, Carlos Drummond de Andrade e Vinicius de Moraes. Exerce a função de produtor, e almeja montar “Bateia”. Na televisão, contracenou com Mônica Martelli em “Dilemas de Irene”, no GNT. Interpretou o índio Iru, em “Bicho do Mato”. Já no cinema, escalaram-no para curtas-metragens. Anseia estar mais presente na tela grande. Com a dedicação, o empenho e o sucesso obtidos em “Araguaia”, não tardará para que surjam convites. E surgiram. Como o Dr. Tadeu de “Morde & Assopra”, e o peão Josué de “Amor Eterno Amor”.
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Juliano Cazarré interpretou o motorista de Vitória (Nathalia Timberg), na novela de Gilberto Braga e Ricardo Linhares. Fazia um tipo estranho, que a princípio parecia ser só estranho, e que motivava as admoestações do chefe dos empregados da matriarca, Isidoro (Antonio Fragoso), muito em decorrência de suas atitudes no serviço. Era calado ao extremo. O desempenho do ator focava-se no olhar. Não se enturmava com os colegas de trabalho. Vitória procurava relevar as faltas do rapaz, porém Isidoro não se conformava. Até que surgiu Teodoro (Tarcísio Meira, em participação especialíssima). Houve uma aparente “sincronia” entre aquele e o motorista, que até lhe dava cigarros quando solicitado. Ismael aprontou de novo. E ficou resolvido que serviria ao “bon vivant” Teodoro. O jovem sério começou a dar telefonemas estranhos. Os telefonemas tinham que ser estranhos, porquanto Ismael era estranho. Foi aí que conhecemos de fato Ismael. Aproveitando-se da viagem que faria com o ricaço personificado por Tarcísio Meira, engendrou invasão à propriedade dele. O que não estava nos planos era que Oscar (Luigi Baricelli), Gilda (Helena Fernandes) e Serginho (Vítor Novello) iriam aparecer na mansão. O plano não deu certo. E Ismael preso foi. Mas já que falei tanto do polêmico personagem, falemos de quem o representara: Juliano Cazarré. Juliano é natural de Pelotas, Rio Grande do Sul. Bastante cedo, mudou-se para Brasília, onde cursou Artes Cênicas na UnB (Universidade de Brasília). Curiosidade: Juliano é filho do escritor Lourenço Cazarré. No teatro, atuou em peças dirigidas por Hugo Rodas. Firmou residência em São Paulo. No cinema, participou de importantes filmes, dentre eles, “A Concepção” (sua estreia), de José Eduardo Belmonte, “Tropa de Elite”, de José Padilha, “Nome Próprio”, de Murilo Salles, “Salve Geral”, de Sergio Rezende, “Vips”, de Toniko Melo e “Bruna Surfistinha”, de Marcus Baldini. Já na televisão, foi Téo, na série estrelada por Andreia Horta, “Alice”, na HBO. Depois, vieram “Força-Tarefa”, “Som & Fúria” e “As Cariocas”, na Rede Globo, culminando com o Ismael de “Insensato Coração”. Bem, como disse, Ismael era um cara estranho. Agora, espero que, com papéis estranhos ou não (no bom sentido), Juliano Cazarré retorne em breve. Em “Insensato Coração” acabou voltando. E está dando o ar da sua graça em “Avenida Brasil”, de João Emanuel Carneiro, como Adauto.
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Estava eu, absorto em uma pista de dança, empunhando uma inocente lata de cerveja, quando me deparo com Miguel Falabella. Discreto, apenas se divertindo. Por se tratar de figura pública, por cortesia, ofereci-lhe a popular bebida. No que o talentoso e “workaholic” artista retrucou: – Nossa, você oferece uma cerveja como se estivesse oferecendo uma taça de “champagne”. Ri. Achei típico do rapaz, popular entre nós por ser observador acuradíssimo do ser humano, e consequentes hábitos e idiossincrasias. Na verdade, ele estava se referindo à maneira demasiado formal com que procedi. Tivera razão. Sou formal, cerimonioso, por vezes. Digo-lhes, por vezes. Quero com esta simples história demonstrar que o ator de grandes sucessos, como o Romeu, de “Sol de Verão” (a primeira novela, em 1982), de Manoel Carlos, o Ray Telvis / Walter José em participação especial e hilária em “Armação Ilimitada”, o Miro (no original de Janete Clair o papel fora de Carlos Vereza), da segunda versão de “Selva de Pedra” (a adaptação coube a Regina Braga e Eloy Araújo), em que fazia excelente “dobradinha” com Nicette Bruno (Fanny), o Zé Menezes / Arnaldo Menezes de “Mico Preto”, de Marcílio Moraes, Leonor Bassères e Euclydes Marinho, o Donato da ótima minissérie de Dias Gomes, “As Noivas de Copacabana”, o Caco Antibes de “Sai de Baixo”, e o Mário Jorge, de “Toma Lá, Dá Cá”, de sua autoria com a amiga Maria Carmem Barbosa, é um homem gentil e espirituoso. Aproveitando o ensejo, não posso me eximir de mencionar a notável atuação que exibira no filme alegórico e bem-feito de Cláudio Torres, “Redentor”. Além disso, enorme prazer para mim fora assistir a Miguel nos palcos em três momentos: “Sereias da Zona Zul”, “Algemas do Ódio” e “Louro, Alto, Solteiro, Procura”. E algumas outras peças que escrevera, “A Partilha”, “Como Encher Um Biquíni Selvagem”, “Querido Mundo”, “Todo Mundo Sabe Que Todo Mundo Sabe” e “A Pequena Mártir De Cristo Rei”. Porém, voltemos ao pequeno e sutil episódio que lhes contei logo no início. A razão de lhes contar? Simples. Mostrar a simplicidade de um encontro. Contudo, um “simples” que ficou guardado em minhas lembranças por causa de frase singular. Quanto ao próximo e aguardado trabalho na televisão de quem escrevera “A Vida Alheia” é o folhetim que ocupará o horário das 19h da Rede Globo, “Aquele Beijo”. O título é bom. Quantos beijos não virão por aí?
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Foto: Divulgação do filme “A Doce Vida”, de Federico Fellini.Por que coloquei a foto da belíssima atriz sueca Anita Ekberg a ilustrar este texto sobre os “paparazzi”? Porque a linda Anita protagonizou ao lado de um dos maiores atores mundiais, Marcello Mastroianni, este clássico do grande mestre do cinema italiano, Federico Fellini, “A Doce Vida”, filme que dera origem à palavra “paparazzo”. Primeiro, para termos ideia do que aborda a trama lhes digo que é a história de um jornalista interpretado por Marcello (Marcello Rubini), que migra do interior itálico para Roma, e acaba se defrontando com um mundo ao qual não estava acostumado: o da alta sociedade e o que de frívolo possa haver nela. Passa a frequentar os bares da Via Veneto, e o sonho de escrever um livro se distancia. As amargura e desilusão do personagem são inevitáveis. Na verdade, o longa de Fellini é forte crítica social. E crítica social bem-feita é para mãos hábeis. Federico não descarta as características que desenharam o estilo que lhe tornou tão famoso e admirado: apresentação de pontos interessantes da Itália e galeria de tipos no mínimo diferentes do padrão comum. Foi filmado em 1960. Curiosidade: o produtor Dino di Laurentiis desejava o excelente Paul Newman como ator principal. Como não conseguiu, abandonou o projeto. Isto acontece no “métier” cinematográfico. Ganhou a Palma de Ouro em Cannes, e o Oscar de Melhor Figurino. Agora, qual a relação que há entre a realização de Fellini e o termo “paparazzo? O que ocorre é que no roteiro filmado, há um amigo fotógrafo de Marcello, chamado Paparazzo (Walter Santesso), cuja função é tirar fotos de celebridades. No entanto, já que este Blog também é voltado para a TV, poderíamos citar alguns fotógrafos não necessariamente “paparazzi” em novelas e ramificações. Mencionemos o irreverente Edu de Antonio Fagundes em “Amizade Colorida”; Kadu Moliterno, como Bruno Simpson, em “Água Viva” (sua música-tema era “Realce”, de Gilberto Gil); Júlio Braga, irmão de Sonia, como Gatto, em “Plantão de Polícia”; Viviane Pasmanter, como Isabel, especializada em noivas, e Caco Ciocler, como Renato, em “Páginas da Vida”; Thiago Lacerda (Bruno, profissional da fotografia dedicado a contextos de aventura e exotismo), Natália do Vale (Ingrid, “expert” em explorar a sensualidade de mulheres maduras), e até a Helena de Taís Araújo teve momentos amadores de fotógrafa, em “Viver a Vida”. E para concluir, Paulo Vilhena incorporou um “paparazzo” no seriado “A Vida Alheia”. Acredito que seja possível um ponto de equilíbrio entre artistas e “paparazzi”, desde que pautado no respeito. Respeito antes de tudo.
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Foto: Angelo Pastorelo para editorial de moda da grife Polo Wear.“Insensato Coração”, Henrique Taborda, personagem de Ricardo Pereira (seguro e espontâneo na interpretação), declarou-se apaixonado por Marina (Paolla Oliveira), após esta chegar de passeio de barco, cujo intuito era o de se aproximar de empresário para realizar negócio profissional. Henrique soube o tempo inteiro ser galanteador, “jogar” com a sedução, esperar o momento certo de conquistar em definitivo a jovem. Teve a devida paciência com a neta de Vitória (Nathalia Timberg). Lançou charme até não poder mais. E quando a bela moça estava tomada por euforia, e de alguma forma, desprevenida, é beijada por quem a assediava. E justo no instante em que Pedro (Eriberto Leão), presente no local, dispunha-se a recuperar o grande amor. Na verdade, conhecemos dois lados de Henrique, na obra de Gilberto Braga e Ricardo Linhares. Este que lhes relatei, e o que nos é mostrado quando na condição de executivo de confiança de Horácio Cortez (Herson Capri). No segundo caso, acompanha a frieza, o cálculo e a objetividade de quem lhe é superior. Resta-nos agora saber como o imbróglio afetivo envolvendo Henrique, Marina e Pedro será resolvido. E quanto a Ricardo Pereira? Ricardo nasceu em Lisboa, frequentou o Curso de Psicologia na Universidade Lusófona, apresentou programa de TV na SIC sobre a ficção promovida no Brasil, em particular os folhetins e seriados, e integrou o elenco de inúmeras peças e filmes em seu país natal. Cabe a ele a prerrogativa de ser o primeiro protagonista de origem lusitana de uma telenovela brasileira, “Como uma Onda” (2004/2005), de Walther Negrão. Além disso, vivera psicólogo em “Prova de Amor”, na Rede Record. Atuara em “Pé na Jaca”, de Carlos Lombardi, e “Negócio da China”, de Miguel Falabella. Até ser escalado para ser o Henrique do folhetim atual, passara por “Toma Lá Dá Cá” e “A Vida Alheia”. Já está confirmado para a próxima produção de Miguel Falabella, “Aquele Beijo”. Se Ricardo “descobriu” o Brasil, esperemos que continue a descobrir tantas outras coisas que esta terra possa lhe oferecer na arte que escolhera.
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Foto: Paulo Otero/site Glamurama Joyce PascowitchTenho o dever de lhes confessar: sempre admirei Vera Fischer. Desde os tempos em que fora Sula, em “Sinal de Alerta”, de Dias Gomes e Walter George Durst, novela das 22h da Rede Globo. No elenco, havia o grande Paulo Gracindo, e a trama era crítica à poluição ambiental. E eu apenas um “petit” que se deixou encantar pela beleza da ex-Miss Brasil de 1969. Vera com sua determinação, conseguiu provar ao público que não possuía somente como atributo lindeza inconteste. Isto se corroborou em seus seguintes trabalhos, tanto na TV, quanto no teatro e no cinema. Aliás, gostaria de ressaltar que a estreia da atriz na emissora citada se deu em “Espelho Mágico”, novela de Lauro César Muniz, que lançou mão da metalinguagem ao abordar o mundo da televisão, e que trabalhara com Janete Clair, em “Coração Alado”. Posso destacar a obra de Gilberto Braga (com “takes” gravados em Londres), “Brilhante”, na qual interpretava Luiza. A direção solicitou ao mestre Tom Jobim, que compusesse música-tema homônima para a abertura da produção. No entanto, Vera cortou os cabelos bem curtos, e com permanente. Só que Tom compusera pensando em Vera Fischer de madeixas longas. Em 1987, foi a inesquecível Jocasta “minha deusa” de Tony Carrado (Nuno Leal Maia), em “Mandala”, folhetim inspirado na peça clássica de Sófocles, “Édipo Rei”. Integrou minisséries de inegável relevância, como “Riacho Doce”, “Desejo” (faria depois um espetáculo teatral com mesmo nome) e “Agosto”. Apostou no potencial cômico em “Perigosas Peruas”, ao lado de Mário Gomes e Silvia Pfeifer. Em “O Rei do Gado”, teve bom desempenho na primeira fase. Já em “Laços de Família”, emocionou como Helena, uma mãe abnegada. No cinema, esteve sob a direção de Sérgio Rezende, Cacá Diegues, Walter Hugo Khouri, Arnaldo Jabor e Braz Chediak. No teatro, Vera não fez por menos: “Macbeth”, de William Shakespeare; “Gata em Teto de Zinco Quente” (contracenou com Ítalo Rossi; assisti, e gostei), de Tennessee Williams; e “A Primeira Noite de Um Homem” (inspiração no livro de Charles Webb e no longa-metragem de Mike Nichols). Agora, escrevi, escrevi, e não lhes contei o motivo do título. Serei breve. Festa em boate, vislumbro Vera com a habitual exuberância (ela havia estado em Londres recentemente), e lhe disse: – Você sabia que Londres estava mais bonita esses dias? No que Vera indagou: – Por quê? Por que eu estava lá? Asseverei: – Claro! E numa outra ocasião, brinquei com a atriz ao vê-la de novo: – Puxa, Vera, você nem me avisou que vinha. É claro que fiz isto com todo o respeito e carinho que nutro pela intérprete. Sendo assim, garanto-lhes: Vera Fischer é amável, atenciosa, e sempre disposta a dar um sorriso. Tony Carrado estava certo: Vera é uma deusa.
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Foto: Bob Wolfenson/Revista ALFASim, a atriz Christine Fernandes nasceu em Chicago, Illinnois, Estados Unidos. Ficou pouco tempo lá. Pois então, é mulher “brasileiríssima”. Toda a sua vida está presente no momento no país que adotara: família, profissão. E foi aqui que praticara por razoável período o vôlei. Das quadras, migrou para as lentes das máquinas fotográficas. Afinal, a beleza nata quase que a obrigava a seguir este ofício. Retorna ao país de origem (estudara em Fort Lauderdale, Flórida), mantém a carreira de modelo iniciada em terras brasileiras na seara internacional (incluindo campanhas em Taiwan, Suíça, Espanha e os próprios Estados Unidos). Começa assim, ao regressar ao Brasil, bem-sucedida carreira artística (cursara “O Tablado” e a Casa das Artes de Laranjeiras, além de cinema e filosofia). Antes de qualquer coisa, gostaria de deixar minha impressão sobre Christine. A bela moça já ostentou cabelos negros, contudo quando os têm loiros, vislumbro-a como uma das “famosas loiras de Hitchcock”. Encaixaria-se perfeitamente em um dos papéis dos filmes do “mestre do suspense”. Citemos exemplos: Grace Kelly, em “Janela Indiscreta” (“Rear Window”), Tippi Hedren, em “Os Pássaros” (“The Birds”) e Kim Novak, em “Um Corpo Que Cai (“Vertigo”). E como a televisão surgiu em sua vida? A estreia ocorreu com participação em “Quatro por Quatro”, de Carlos Lombardi. Porém, o destaque se deu pelas mãos de Manoel Carlos, em “História de Amor” (1995), como Marininha. Após ter trabalhado na Rede Bandeirantes em “Perdidos de Amor”, feito minissérie de Gilberto Braga (“Labirinto”) e um “Você Decide”, Christine Fernandes ganhara grande chance: integrar o elenco da adorável minissérie de Lauro César Muniz, “Chiquinha Gonzaga”. O papel era o de Alzira. A partir daí, seguiram-se vários folhetins, como “Esplendor”, “Estrela-Guia”, “Kubanacan” e “Essas Mulheres” (importante contribuição à produção da Rede Record, que lhe rendeu reconhecimento por meio de alguns prêmios). Voltou a colaborar com Manoel Carlos, em “Páginas da Vida”. Integrou o “cast” da eletrizante “A Favorita”, de João Emanuel Carneiro, foi uma médica responsável e verdadeira “mãezona”, Ariane, em “Viver a Vida” (loira como nunca), e estivera no seriado “A Vida Alheia” e no especial “Diversão.com”. E o cinema? Citemos, por exemplo, “Duas Vezes Com Helena”, “O Xangô de Baker Street”, “Amores Possíveis” e “Mais Uma Vez Amor”. No teatro, nada mais nada menos, interpretara a própria Hedda Gabler, no clássico de Henrik Ibsen. Agora, pensando melhor. Illinois e as quadras de vôlei perderam Christine Fernandes. Mas nós com isso ganhamos, não é?
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Em tempos remotos, frequentei o mesmo lugar que Murilo. Ele era amigo de conhecidos meus. Nunca nos falamos, e desconhecia seu nome. Era quietíssimo, só observava. Exímio observador. Prestem atenção nos que observam. Não sabia que era ator. Diogo Vilela é outro que observa bastante. Até que um dia, certa amiga me disse que Benício estava atuando em peça teatral, e se saindo muito bem. Algumas primaveras decorreram, e alguém chegou até a mim, e me comunicou: – Murilo Benício vai fazer novela na Globo! A associação com o rapaz que já conhecia de vista não se dera. Pensara que poderia ser qualquer um que não tivesse longínqua ideia de ter sequer olhado. Foi quando o vi em “Fera Ferida”, de Aguinaldo Silva, Ana Maria Moretzsohn e Ricardo Linhares. Seu papel (ajudante de limpeza politizado) possuía razoável destaque no folhetim. As cenas com a Ilka Tibiriçá de Cassia Kis Magro eram boas. Houve passagem na trama que fora “prova de fogo” para o intérprete: ele, diante de vários artistas consagrados, em plena praça pública, deveria fazer discurso longo. Isto para um estreante é intimidador. O rapaz dissera que ficara tenso com este momento. Não era para menos. Seguiram-se a partir daí um sem-número de “discursos” de Murilo, não em praça pública, mas para todo o Brasil. Como por exemplo, ao compor o personagem que antes pertencera a Emiliano Queiroz: o Juca Cipó de “Irmãos Coragem” (o “remake” da obra original de Janete Clair fora realizado por Dias Gomes e Marcílio Moraes); o Bráulio/ Dráuzio de “Vira-Lata”, de Carlos Lombardi (esbaldou-se na comicidade); o Léo, jovem retraído de “Por Amor”, de Manoel Carlos, desprezado pela mãe Branca (Susana Vieira); o antagonista Cristóvão, de “Esplendor”, de Ana Maria Moretzshon; o Diogo/Lucas/Léo, de “O Clone”, corajoso folhetim de Gloria Perez (acredito que este tenha sido o maior desafio da carreira de Murilo); o Danilo de “Chocolate com Pimenta”, de Walcyr Carrasco; o Tião de “América”, de Gloria Perez novamente; o Arthur de “Pé na Jaca”, de Carlos Lombardi; o Dodi de “A Favorita”, de João Emanuel Carneiro (ao meu ver, o seu mais cativante desempenho na televisão); e por último o Ariclenes/Victor Valentim de “Ti-ti-ti”, de Maria Adelaide Amaral. Participara de diversos seriados, dentre os quais podemos destacar “Força-Tarefa”. No cinema, citemos alguns longas-metragens: “O Monge e a Filha do Carrasco”, de Walter Lima Jr.; “Os Matadores”, de Beto Brant; “Orfeu”, de Cacá Diegues; “Sabor da Paixão” (“Woman on Top”), de Fina Torres, filme no qual contracenou com Penélope Cruz, e que marcara primeira incursão no mercado internacional; “Amores Possíveis”, de Sandra Werneck; e “O Homem do Ano”, de José Henrique Fonseca (Murilo Benício pintara os cabelos de louro). No teatro, disse texto de Woody Allen na peça “Deus”; contracenou com Giovanna Antonelli em “Dois na Gangorra”, de William Gibson; e com Marisa Orth, em “Fica Comigo Esta Noite”, de Flávio de Souza. E após o sucesso como o “estilista espanhol”, retomou o seriado “Força Tarefa”, e agora o ex-jogador de futebol Tufão em “Avenida Brasil”, de João Emanuel Carneiro, exibida pela Rede Globo.
Obs: Atualmente, Murilo Benício vive o personagem Jonas Marra, na novela de Filipe Miguez e Izabel de Oliveira, “Geração Brasil”, exibida às 19h pela Rede Globo.



