Talvez nunca se tenha visto em uma novela um sequestro com tantas reviravoltas como as que se deram com o de Carminha (Adriana Esteves), em “Avenida Brasil”, de João Emanuel Carneiro, cujo desfecho ocorreu no capítulo de ontem. Quando tudo estava pronto para que se “estourasse” o cativeiro, e a mulher de Tufão (Murilo Benício) fosse finalmente libertada, após Zezé (Cacau Protásio) ter comunicado a todos onde a patroa se encontrava, Max (Marcello Novaes) vai até ao seu quarto telefonar para os bandidos, e lhes informar da decisão da família, e surpreende-se ao perceber que o celular não está funcionando. Na verdade, foi uma volta que Nina (Débora Falabella) lhe deu, a primeira, ao deixar o aparelho mergulhado por um tempo dentro de um copo de água. Noutro instante, o grupo formado por Leleco (Marcos Caruso), seu filho, o amigo policial aposentado Zenon (Mário Hermeto), orientados pela empregada doméstica, chegam ao local do cativeiro. Claro que Max também fora. Só que municiado para qualquer eventualidade. O rapaz ficou encarregado de levar o resgate. Logo quem. E esconde a sua parte com a da amante no fundo de uma caçamba. Nina, disfarçada, que havia o seguido, vê. Depois, o filho de Nilo (José de Abreu) dá um disparo como alerta para os criminosos ficarem cientes de que a casa está cercada. O clima fica tenso. Não se chega a um acordo. O personagem de Marcello Novaes se oferece para tentar uma negociação. Assentimento geral. Zenon decide invadir a área, e ao entrar com os companheiros, depara-se com Carmen Lucia amarrada, e Max ferido. Os meliantes estavam no alçapão. Um ardil. Contudo, quando Moreira (Rodrigo Rangel) e seus asseclas estavam fugindo, Zenon os repreende. E ao indagar a Carminha se eram os praticantes do delito, ouve que não. A segunda volta que Nina dá em Max acontece. Ela pega a dinheirama “malocada”, e a põe na mochila. Carminha é recebida em casa com comoção (Nina já está lá). Tufão faz até discurso, e cita um poeta: “O que importa é o que interessa. O resto, tanto faz.” Quando Max retorna ao esconderijo para buscar o dinheiro, nada encontra, e fica atônito. De volta à mansão, conta na sauna para a sua cúmplice o que decorrera, e escuta série implacável de impropérios. Algo do tipo: “Tu ‘é’ um nada! Ou: “Se não fosse eu onde que tu “tava” ainda? Limpando os ‘porco’ do Nilo!” As ofensas continuam a ponto de Carmen ser quase agredida. Os dois rompem. No tocante a Nina, não sabe o que fazer com a fortuna. Não quer guardá-la, e ao pedir a Lucinda (Vera Holtz) que o faça, a mãe de criação se recusa. O marido de Ivana (Letícia Isnard) sai de casa embriagado, e se envolve num acidente com o carro perto do lixão. A chef corre até lá, e ao ser perguntada pelo outro envolvido na colisão de quem se tratava, ela responde que era a mulher de Max. Surge aí uma nova aliança. São as voltas que a Nina dá.
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Foto: Claudia Raia no espetáculo “Cabaret”/Ernesto Rodrigues/AEClaudia Raia é uma atriz de musicais. Ela está atualmente se apresentando em São Paulo com o espetáculo “Cabaret”, baseado na peça original de Joe Masteroff, que se inspirou em outra peça, “Eu Sou Uma Câmera”, de John Van Druten. E esta por sua vez foi inspirada no livro de Christopher Isherwood, “Adeus, Berlim”. As músicas originais de John Kander e Fred Ebb foram adaptadas por Miguel Falabella, além dos textos. A direção ficou a cargo de José Possi Neto. De início, assisti a Claudia na TV em sua estreia, no humorístico “Viva o Gordo”, no qual ao lado de Jô Soares e Eliezer Motta, protagonizou o quadro “Vamos malhar?”. Era bem divertido. Eu ficava de fato impressionado com a plenitude da esbelteza daquela mulher bastante jovem. Claudia, desde cedo, dedicara-se à dança. E a praticara como profissional nos Estados Unidos, tendo treinado balé, após ganhar bolsa de estudos em Nova York. Toda esta importante experiência a fez estrelar série de musicais no Brasil. Musicais de inegável repercussão, tendo estes contribuído sobremaneira para que se revitalizasse o gênero já não tão merecedor de atenção em terras nacionais. Exemplos de espetáculos que atendem a esta qualificação: “A Chorus Line”, “Não Fuja da Raia” e “Caia na Raia”. Fizera ainda o prestigiado “O Beijo da Mulher-Aranha”, sob a direção de Miguel Falabella. E falando em Miguel, dividira com ele “Batalha de Arroz Num Ringue Para Dois”. Afora, integrara sucessos inquestionáveis como “Splish Splash”, “Sweet Charity” (ao lado de Marcelo Médici), “Pernas pro Ar” e “5 X Comédia”. No cinema, emprestara a imagem à adaptação de Ruy Guerra para obra de Antonio Callado, “Kuarup” (o livro chama-se “Quarup”), “Boca de Ouro” (Nelson Rodrigues), dirigido por Walter Avancini, e “Os Normais 2 – A Noite Mais Maluca de Todas”, de José Alvarenga Jr., dentre outros. Já na televisão, tentemos traçar um panorama dos papéis que mais a marcaram. Depois de “Viva o Gordo”, formara trio com Yoná Magalhães e Ísis de Oliveira, em “Roque Santeiro”, de Dias Gomes e Aguinaldo Silva, como Ninon. Em “Sassaricando”, de Silvio de Abreu, caiu irremediavelmente nas graças do público como a Tancinha. É escalada para o revolucionário, em termos de novas visão e abordagem do humor, “TV Pirata”. Trabalha de novo com Silvio de Abreu (autor com quem voltaria a constituir parceria), em “Rainha da Sucata”, como a divertida e estabanada “bailarina da coxa grossa” Adriana Ross, cujo bordão era: – Geeente!; “Deus nos Acuda”, de Silvio de Abreu; “Torre de Babel”, do mesmo Silvio, em que era a sofisticada Ângela Vidal; “As Filhas da Mãe” (Silvio de Abreu lhe dera personagem polêmica); “Belíssima”, novela de Silvio na qual fora a fogosa Safira (ótima dupla com Reynaldo Gianecchini), “A Favorita”, de João Emanuel Carneiro (com esta produção arrojada no contexto de narrativa teledramatúrgica, a intérprete só fez ratificar suas potencialidades), e “Ti-ti-ti”, “remake” de Maria Adelaide Amaral, no qual chegou e “causou”. Agora, não sejamos injustos em não mencionar a boa minissérie adaptada de Nelson Rodrigues, “Engraçadinha – Seus Amores e Seus Pecados”. Claudia Raia, que fará o próximo folhetim das 20h de Gloria Perez, já recebeu diversos prêmios, cantou, dançou, atuou, mas tenho para mim que aqueles que a admiram desejam que ela continue a cantar, dançar, atuar e… receber prêmios. Além de ser a Claudia Raia de sempre, sem tirar nem pôr.
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Com impressionantes 1, 92m de altura, vestindo camisa social estilo “pièd-de-poule”, calça jeans, e cinto e sapatos combinando, Tadeu é anunciado por Jô Soares, no talk show. Ao começar a entrevista, Jô diz que o jornalista é “mais bonito pessoalmente”. Ele fica meio sem jeito. E é a partir daí que Tadeu Schmidt prossegue num “festival” de sinais de que possui extremo senso de humor. Afirma que a esposa não o acha bonito, mas sim “o homem mais bonito do mundo”, sendo que, segundo ela, “não é amor, não”, “é uma visão técnica da coisa”. Informara que a família é em maioria formada por atletas. Os pais, por exemplo, praticavam vôlei em época incomum (o pai era ainda adepto do salto em altura). O sobrinho Bruno Schmidt é um dos melhores jogadores de volêi de praia brasileiros, além do grande cestinha Oscar Schmidt, seu irmão, como sabem. Tadeu asseverou também ser contumaz praticante de esportes, jogando tênis quase todos os dias, além de malhar. Segue dieta alimentar, porém o curioso não está aí, mas no fato de que tem pequena balança “amiga” a lhe acompanhar, para lhe dar noção exata do quanto está ingerindo (foi feita demonstração para as plateia e telespectadores). Nos fins de semana, quando o rapaz sai da dieta, só leva a tal máquina de medição para as churrascarias, porque nelas as comidas vêm em porções, o que permite a pesagem. A conversa agora é sobre suposta mania de Tadeu no que tange à organização das roupas. Defende com veemência o “sistema” por ele adotado. E não é que há uma lógica? Funciona assim: para que camisas não sejam repetidas no uso, duas pilhas são montadas; primeiro trajam-se as da esquerda, e ao fim destas, trajam-se as da direita (detalhe: as que foram lavadas vão para a pilha da direita). Desta forma, usa-se cada uma delas, e permitindo-me brincar, “justiça” com as mesmas é realizada. Algo bastante engraçado estaria por vir. A questão das peças de baixo (cuecas, mesmo). Em gaveta, são divididas em três partes, separadas por divisórias. Classificam-se em níveis: nível 1, nível 2, e nível 3. As de nível 1 são destinadas para eventos especiais, como a ida à atração do Jô; as de nível 2 são utilizadas para atividades cotidianas, como trabalho e academia; e as de nível 3 “já deveriam ir para o lixo”. Jô Soares completa ao afirmar que as últimas são guardadas por “razões sentimentais”. Saindo deste tópico, fotos da época universitária são exibidas no telão, nas quais Tadeu está com visual muito diferente. Contou-nos intempéries de fase quando era mais jovem. E sempre fazendo piada. Quanto à carreira deste competente e carismático potiguar que conseguiu imprimir graça aos lances de futebol no “Fantástico”, iniciou na Rede Globo em Brasília, transferindo-se para o Rio de Janeiro “a posteriori”. Cobriu relevantes eventos esportivos mundiais (Copa do Mundo, Olimpíadas e Fórmula 1). O esporte havia entrado de vez em sua vida profissional. Passara pelo “Esporte Espetacular”, “Globo Esporte”, e “Bom Dia Brasil”, até firmar-se no citado dominical “Fantástico”. Voltando à conversa que tivera com Jô Soares, em nenhum momento a “bola murchou”.
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Sandra, Lidoka, Regina, Dhu, Leiloca e Edir. Seis moças, jovens artistas que davam um duro danado para sobreviver. Nelson Motta, rapaz criativo ligado à música inaugura boate chamada “Frenetic Dancin’ Days”, em plena era “disco”. Elas gravam canção de Gonzaguinha. Improvável? Sim, improvável. Dão-se conta do sucesso da mesma quando estavam apinhadas todas em táxi, e no rádio suas vozes são ouvidas. Felicidade geral. Nelson, o moço de quem lhes falei antes, convida-as para serem garçonetes daquela boate que inaugurara. Aceitam, desde que não servissem apenas drinques, mas música e dança também. Tônia Carrero ao se deparar com Sandra, disse-lhe que se assemelhava à irmã de Marília Pêra. Sandra afirmou que na verdade era. As pessoas pareciam não entender muito bem como atrizes/cantoras estavam servindo mesas. Aliás, citando Marília, esta fora a responsável pelo figurino delas todo feito em lurex, e com decotes ousados tanto na frente quanto atrás. Fato é que a boate virou a grande sensação da época no Rio de Janeiro. Celebridades para lá iam, como Gal Costa, Maria Bethânia e Caetano Veloso. Entretanto, o frenesi durou pouco tempo. E a casa foi fechada. Porém, As Frenéticas continuaram seu curso frenético. No sertão, encontraram meninas simples bailando em chão de terra batida ao som das melodias do grupo. Eram As Frenéticas invadindo o Brasil. As canções cativantes e irresistíveis viraram tema de abertura de novelas. Nelson Motta decide reabrir a boate em outro local, com show de As Frenéticas, é claro. Os dois primeiros discos foram um fenômeno de vendas. O terceiro, já nem tanto. A elas sugeriram que interpretassem Lamartine Babo. A crítica aprovou. Contudo, não houve aceitação fácil do público. O frenético mundo de As Frenéticas parecia pedir uma pausa. A saída das integrantes foi se dando gradativamente. Segundo uma delas, a dor assim poderia ser menor. Para concluir, chegamos a algo irrefutável: As Frenéticas conquistaram seu merecido espaço na música popular brasileira. Hoje, cada uma delas segue a sua vida. Hoje, cada uma delas “faz a sua festa”.
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Foto: Christiane Tricerri em um dos muitos espetáculos de Shakespeare dos quais participou.Poderíamos dizer que Christiane Tricerri são muitas em uma, assim como Patrícia Galvão, a Pagu, jornalista, escritora, feminista, e militante política, retratada em espetáculo teatral de autoria e direção de Christiane, e no qual também atuara. Espetáculo este que mostrava duas Pagus em diálogo, e deste surgiam momentos marcantes da vida da modernista. A outra Pagu coubera a Majeca Angelucci. Uma das razões da produção era o de homenagear o centenário de nascimento de mulher tão importante para a afirmação dos valores femininos na sociedade. Detalhe: a paulistana Christiane já havia feito antes uma encenação sobre ela. A temporada comemorativa fora excelente. Merecido, pois a intérprete debruçou-se em incansáveis pesquisas, estudos, entrevistas, e tudo o mais que pudesse enriquecer a sua montagem. Mas, por que lhes disse que Christiane são muitas em uma? Acho que já lhes dei algumas dicas: atriz, diretora e autora. Autora de livro de poesias, “Figos-da-Índia”. Christiane Tricerri, assim como Rosi Campos sobre quem falara em texto escrito anteontem, estudara na ECA (Escola de Comunicações e Artes da Universidade de São Paulo), e ambas integraram o Grupo do Ornitorrinco, fundado por Cacá Rosset. É bom frisar que Christiane logo nos primeiros passos da trajetória artística “enfrentou” um Peter Shaffer (“Equus”). Promissor começo. Um salto enorme que dera ocorreu em 1982, quando da estreia de “Bella Ciao”, de Luis Alberto de Abreu. A crítica rendeu-se à peça. Prêmios. Inclusive o honroso APCA (Associação Paulista dos Críticos de Arte) para Christiane Tricerri, como melhor atriz. A artista possui em seu currículo rica galeria de dramaturgos, como o próprio Shaffer, William Shakespeare (simplesmente personificara a filha Regan do Rei Lear de Raul Cortez; estivera na polêmica apresentação de “Sonho de Uma Noite de Verão”, como Titânia, no Central Park, que arrancou acalorada ovação da crítica especializada, como o “Village Voice” e a “Variety”, e do público presente; “A Comédia dos Erros” – indicada ao Prêmio Shell de Melhor Atriz, e a “A Megera Domada”). Afora, Molière, Alfred Jarry, e adaptação da obra de Pedro Almodóvar, “Pathy Difusa”. Tivera como parceiros de ofício dois representantes de inegável relevância do teatro transgressor brasileiro: José Celso Martinez Corrêa (“Mistérios Gozosos”) e Maria Alice Vergueiro (por esta fora dirigida, e a dirigiu). No cinema, participara de diversos filmes, dentre os quais, podemos destacar “O País dos Tenentes”, de João Batista de Andrade. Na televisão, minisséries como “Anarquistas, Graças a Deus”, “Cometa” e “A Casa das Sete Mulheres”. Christiane Tricerri são muitas em uma. Motivo de felicidade para esta funcionária da Arte. Deve ser bem tedioso ser apenas um em um. Deve ser.
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Foto: Carol Soares/SBT
Giba, o moço de olhos verdes. O moço paranaense de 1,93m que na primeira infância superou drama. Isto sem a mãe saber. Vocação para campeão. Aliás, diz ter vício em vencer. Nada mal pensar assim para um de nossos melhores atletas. Afirmou a Marília Gabriela, em seu programa, “De Frente com Gabi”, no SBT, que tentou a maioria dos esportes coletivos. Porém, sem sucesso. Inclui-se aí a natação. Sobrou-lhe o vôlei. Parece piada. Não, não é. Na verdade, o vôlei estava só o esperando, brincando com ele, até que fosse descoberto. Ao ser perguntado por Marília se a medalha de prata lhe vale alguma coisa, citara frase de jogador com quem dividira as quadras: “Eu trocaria todas as minhas medalhas por uma medalha de bronze olímpica”. Sábias palavras. Para Giba, torna-se impossível descrever a emoção de se sentir o espírito olímpico. Demonstrou não possuir arrependimento de ter que se submeter a sacrifícios em nome do desporto. Relata que apesar de não haver comparação viável no que tange ao recebimento de salários entre jogadores de futebol e voleibol, estes ganham bem no Brasil, principalmente em cima de uma boa imagem construída. Sobre suas experiências no exterior, não viu quaisquer problemas em residir na Itália, em virtude talvez da ascendência originária deste país. Informou-nos que a Rússia, em específico Moscou, surpreendeu-o pela cultura, gastronomia, e que, por incrível que possa parecer, a melhor fase é o inverno. Chegou a jogar na Sibéria, sob temperaturas baixíssimas. Contudo, como a Rússia domina o mercado de gás, não havia empecilhos quanto ao aquecimento necessário. No que diz respeito a morar fora, Giba afirmou que já considerara isto várias vezes. As causas seriam as falhas de serviços essenciais do Estado. O assunto “aposentadoria” é tocado. O rapaz confessou já estar se preparando psicologicamente para este fato. No presente momento, desenvolve projetos de inclusão social de crianças carentes (tendo a modalidade esportiva na qual atua como mola propulsora). Falou ainda que não se julga alguém com ego tão grande, e reitera acerca da preparação que faz consigo mesmo sobre o dia que não for mais o “Giba”. No mais que pude perceber, o moço de olhos verdes sobre os quais a bola voa é tranquilo, e voltado para a família, acima de tudo. E que nas “horas vagas”, “diverte-se” com algo chamado bola, ora fazendo-a riscar o céu, ora livrando-a de cair no chão, ora entregando-a a um amigo, com um único objetivo: vencer.

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Foto: André Nicolau para o “making of” do editorial de inverno da marca Puramania.Desde os primeiros capítulos de “Insensato Coração”, de Gilberto Braga e Ricardo Linhares, percebeu-se a ferrenha disposição de Irene em seduzir Pedro (Eriberto Leão) a qualquer custo. Com a resistência do rapaz, que alegava que não poderia haver nada entre ambos porque eram “primos” (na verdade, Irene é adotada), a bela moça passou a se utilizar de uma gama infinda de estratagemas com o intuito de conquistar o filho de Raul (Antônio Fagundes). Invenção de histórias contadas a Marina (Paola Oliveira), a grande rival; o uso indevido do celular de quem se deseja, seja apagando mensagens e telefones, seja enviando falsos recados… Até sair com homens pelos quais não sentia qualquer tipo de interesse, apenas para provocar suposto ciúme em Pedro, ela o fez. Bilhetes rasgados também entram na sua lista de ardis. Um momento propício surge para investida em definitivo. Claro que esse “propício” fora por Irene armado. Após não se consumar encontro com mulher que por ele demonstrara segundas intenções (encontro que não aconteceu por obra da “prima”, evidente), e decepcionado, ter se embriagado, a jovem determina-se a mostrar todo o potencial de sedução que possui. Consegue enfim relacionar-se intimamente com seu nada obscuro objeto do desejo. Ela sempre afirmou que os sentimentos resumiam-se apenas à atração física. Será? O prosseguimento da trama nos revelará isso. E Fernanda? Como entrou no mundo artístico? Ainda criança, participou de campanhas publicitárias. A estreia na televisão deu-se no seriado “Sandy & Junior”, em que ficara por bom tempo. A personagem chamava-se Patty. Após, “Sítio do Pica-Pau Amarelo”, e a primeira novela, “Agora é que são elas”, de Ricardo Linhares. Era Karina. Tivera experiência com os textos de João Emanuel Carneiro em “Da Cor do Pecado”. É escalada para algo que nunca tinha feito, uma minissérie. No caso, “Um Só Coração”, de Maria Adelaide Amaral e Alcides Nogueira. Esta produção fora realizada em homenagem ao aniversário de São Paulo. Surgiu-lhe então convite para viver Rosário, papel que lhe deu projeção, no folhetim de Gloria Perez. Na HBO, integrara o elenco da elogiada produção “Mandrake”, em sua segunda temporada. Volta a trabalhar com Gloria Perez, como Belinha, na minissérie “Amazônia – De Galvez a Chico Mendes”. A seguir, “Desejo Proibido”, de Walther Negrão, e o “remake” de “Paraíso”. Há que se frisar que no currículo há mais especiais e seriados. No cinema, destaquemos “Podecrer!”, de Arthur Fontes. E no teatro, “Dona Flor e Seus Dois Maridos” (peça à qual assisti, e gostei). Fazia a própria Dona Flor. A direção coube a Pedro Vasconcelos. Fernanda é essa que lhes relatei neste texto: uma bonita e graciosa intérprete que utiliza como meio incontestável carisma para alcançar certo fim, que é o de se atingir o público que a aprecia em vê-la em cena. E que terá a oportunidade de conferir a sua presença novamente na próxima produção das 20h de Gloria Perez. Já no teatro, está em cartaz ao lado de Henri Castelli no espetáculo “Meu Ex-Imaginário”, de Regiana Antonini.
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Foto: Divulgação/Festa de lançamento da novela “Morde & Assopra”.
Elisa, como sabem, fora a filha de Malu (Regina Duarte), no seriado “Malu Mulher”, interpretada de modo impressionantemente realista por Narjara Turetta (está no humorístico “Zorra Total”).
Agora, o fato de associarmos quase sempre a carreira de Narjara a esta brilhante produção não é demérito, e sim, um momento significativo na televisão brasileira que por nós deve amiúde ser lembrado. “Malu Mulher” marcou época. Não somente pelo ótimo elenco, mas pela coragem em apresentar em nossa TV o debate sério de forma pioneira de temas tabus. E a discussão dos mesmos fora adequadíssima nos anos em que se deu sua exibição, na Rede Globo. O sucesso não ocorreu apenas no Brasil. O prestígio acontecera em diversos países. Ganhou prêmios importantes, como o Ondas da Espanha e o Iris, nos Estados Unidos. E agraciaram Narjara pela atuação com o APCA Trophy. Porém, Narjara tem extenso currículo. Antes de Elisa, participara de vários programas, dentre os quais podemos destacar “Papai Coração”. E na “carona” de “Malu Mulher”, foi produzido especial dedicado às cantoras brasileiras, “Mulher 80”, no qual havia as presenças tanto de Narjara quanto de Regina Duarte. E nele, a atriz cantou junto ao Quarteto em Cy, a canção “Feminina” (ver vídeo abaixo). E assim, a intérprete, que também é dubladora, seguiu seu curso em novelas de repercussão. Citemo-nas. Voltou a trabalhar com Manoel Carlos (escrevera “Malu Mulher”), na boa “Baila Comigo”, obra com os gêmeos de Tony Ramos, que mostrava o “boom” da era da ginástica. Fez “O Homem Proibido”, de Teixeira Filho, que baseou-se em texto homônimo de Nelson Rodrigues. E a divertida “Amor com Amor se Paga”, de Ivani Ribeiro. Mais algumas telenovelas, e integra o “cast” da produção de teor político de Lauro César Muniz, “O Salvador da Pátria”. É a seguir, escalada para “Gente Fina”, de Luiz Carlos Fusco, Marilu Saldanha e Walter George Durst. Após diversas contribuições em atrações várias, outra emissora a contrata. Foi uma governanta sofisticada em “Páginas da Vida”, em que tivera afinada parceria com Sônia Braga. Trabalhos televisivos lhe surgem, até que bem-vinda chance de retornar aos folhetins aparece de forma inusitada. Segundo relatou própria Narjara, que está na rede social Twitter, e que “segue” alguns autores, inclusive Walcyr Carrasco, certa vez, desejou a este um “boa noite”. No que ele disse proximamente que “ela teria uma surpresa”. Promessa cumprida. Narjara esteve em “Morde & Assopra”, como a dona de um bar. Walcyr falou na época que Lilian, seu papel, estaria envolvida em mistério, e que sofreria uma “virada” no desenrolar da trama. Antes de concluir, gostaria de frisar que Narjara é artista de teatro, e no cinema, possui dois curtas-metragens. Face a isto, notamos que bons ventos sopram ou assopram para Narjara Turetta. E continuarão soprando ou assoprando. -
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Foto: Divulgação do espetáculo “Equus”, com o qual Leonardo Miggiorin está em cartaz em São Paulo.Na verdade, interpretar e cantar não são as duas vocações artísticas representativas na trajetória profissional de Leonardo Miggiorin, que está em cartaz em São Paulo com a peça “Equus”, de Peter Shaffer. Podemos incluir outrossim as Artes Plásticas (pintura e desenho), além de, em outro segmento, a Psicologia. Em “Insensato Coração”, como Roni, o empresário/agente de Natalie Lamour (Deborah Secco), Leonardo provou-nos, sob o meu ponto de vista, ser um dos destaques da trama de Gilberto Braga e Ricardo Linhares. Não somente por protagonizar momentos para lá de divertidos, mas por mostrar uma faceta séria e sensata quando a situação assim o pede. Qualificaríamos Roni como uma pessoa alto astral, “pra cima”, otimista, porém com os “pés no chão”. Algo que sua agenciada parece não possuir, muito em decorrência de seu olhar ingênuo sobre os fatos. Leonardo Miggiorin compôs seu papel com esmero, e o resultado é a aceitação clara do público. Contudo, até estar na produção das 21h da Rede Globo, há um pouco de história para lhes contar. O ator nasceu em Barbacena, Minas Gerais (ficara apenas alguns dias na cidade). Por causa da profissão do pai, levava uma vida de certa forma nômade. Rio de Janeiro, Brasília, Rio Grande do Sul… E nessas andanças, Leonardo formaria suas convicções pertinentes às Artes, seja no teatro, seja na música, seja na dança clássica. Tivera até experiência com o “butoh”. A estreia na televisão acontecera em “Flora Encantada”, com a apresentadora Angélica. Todavia, os sucesso e reconhecimento legítimos viriam com a ótima minissérie de Manoel Carlos (autor com quem Leonardo viria a trabalhar depois, e a quem considera como padrinho), “Presença de Anita”. Há uma bonita cena na obra em que Zezinho, seu personagem, mira-se no espelho, toca-se, como se estivesse “reconhecendo-se”. Ganhou prêmio. Passou um tempo fora. Aprimorou-se. Daí em diante, uma série de folhetins incrementou o seu currículo: “Mulheres Apaixonadas”, “Senhora do Destino”, “Essas Mulheres”, “Cobras & Lagartos” e “Viver a Vida”, além da boa minissérie de Fernando Meirelles, “Som & Fúria”. No cinema, agraciaram-no com o prêmio de Melhor Ator pelo curta-metragem “Em Nome do Pai”, de Julio Pessoa, no Festival de Gramado. Participara de longas-metragens como “O Casamento de Romeu e Julieta”, de Bruno Barreto, e “Rinha”, de Marcelo Galvão. Atuara em espetáculos teatrais, dentre eles, citemos “Peter Pan: Todos Podem Voar”, dirigido por Ariel del Mastro, no qual personificara o próprio, cantando e dançando, e “Dueto da Solidão”, de Sérgio Roveri. E o dom para o canto o levou a formar uma banda de pop rock com inserções de poesia chamada Vista. Face ao que lhes relatara, o “tudo” (seu personagem em “Insensato Coração” fala “tuda”) não está naquilo que Leonardo tem a nos apresentar? Creio que sim.
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Todos nós em algum momento de nossas vidas temos uma “pedra no sapato”. Fazemos de tudo para nos livrarmos dela. A grande questão ocorre quando não conseguimos isto realizar. A “pedra” é crônica, permanente, sem prazo de saída. Isto é o que estamos testemunhando com o personagem de Lázaro Ramos, em “Insensato Coração”, novela de Gilberto Braga e Ricardo Linhares. Se antes, o designer nos assombrava com as suas insensibilidade, frieza, soberba e maneira não exemplar de tratar as mulheres, inclusive Carol (Camila Pitanga), a mãe de seu filho, hoje notamos uma humanização progressiva do rapaz, mesmo que ele tente ao máximo insistir aos que lhe cercam que continua empedernido nos princípios questionáveis. Em determinados momentos do folhetim, André deixou-nos claro o quanto tivera infância sofrida. As lembranças acerca do pai eram incômodas, como o alcoolismo e todas as devastadoras consequências advindas para um núcleo familiar. As coisas pareciam ter se acalmado após o amigo de Beto (Petrônio Gontijo) haver se poupado de enrascada. Mal sabia que enrascada pior viria com o nome de Gregório. A escalação do ator para interpretá-lo não poderia ter sido mais acertada: Milton Gonçalves. Ator que conhecemos muito bem por inúmeros trabalhos marcantes na televisão. Milton surgiu na história impingindo ferocidade impressionante, deboche, cinismo e vulgaridade que tornam Gregório homem desprezível. Já chegou ao apart do filho bêbado, promovendo escândalo. Com Carol, tentou negociar acordo espúrio para que ambos tirassem proveito financeiro daquele. Em discussão ferrenha com André, a este lhe foram bradadas dolorosas palavras. Confessou sem dó que não desejava que ele nascesse, e que ao isto acontecer, foram-lhe tirados dinheiro e a atenção da esposa. André Gurgel rebate afirmando que escondia parcela do que iria gastar na merenda da escola, pois sabia que o restante lhe seria usurpado covardemente em substituição a um copo cheirando a álcool, além das memórias degradantes de assistir à mãe sofrendo violência física. André dá-lhe o dinheiro exigido. Será apenas o primeiro de tantos. Afinal, eu disse que é “pedra no sapato” crônica. Pena ser o seu pai. Todavia, todo este triste e pungente episódio serviu para algo bom: André Gurgel não pretende ser igual ao progenitor. E isto já despertou-lhe sentimento paternal. Gregório sem saber colaborou para o crescimento de quem ajudara a pôr no mundo. Neste caso, somos obrigados a admitir que a “pedra bruta” Gregório por único instante não machucou o pé de André em seu sapato “grifado”.



